20 Nov 2016 | domtotal.com

É você quem manda


Por Nany Mata

"Cheguei à terrível conclusão de que sou o elemento decisivo.
É a minha abordagem que cria o clima.
É o meu humor diário que faz o tempo.
Possuo o tremendo poder de tornar a vida miserável ou prazerosa.
Posso ser uma ferramenta de tortura ou um instrumento de inspiração; posso humilhar ou ter humor, machucar ou curar; em todas as situações, é a minha resposta que decide se uma crise escala ou des-escala, se uma pessoa é humanizada ou des-humanizada.
Se tratamos as pessoas como elas são, nós as tornamos piores. Se tratamos as pessoas como elas deveriam ser, nós as ajudamos a se tornar o que elas são capazes de se tornar."
- Goethe
 
Uma grande amiga publicou, coincidentemente no momento em que procurava por um tema para a coluna desta semana, a citação acima. Engraçado que, por uns dias, eu vinha quebrando a cabeça para pensar uma forma de escrever justamente isso. Não sou Goethe para definir esse sentimento de maneira tão bem feita, mas tudo bem.
 
Sabe que é? É que a vida, às vezes - ou quase sempre - faz de nós pessoas duras. A gente perde a paciência com o mundo, desconta nos amigos, na família, nos colegas de trabalho e até no cara que vende chiclete no sinal. Mas, poxa, em um planeta de injustiças, se você está dentro do carro enquanto alguém coloca uns docinhos por dois reais em seu retrovisor, você já está em vantagem. Na verdade mesmo, ainda que esteja em pé em um ônibus lotado, às 18h20, buscando seu filho da escola ou voltando do trabalho, a vantagem está com você.
 
E, se você está lendo este texto, amigo, preciso dizer que você está em vantagem. E sua forma de lidar com as coisas é que faz a diferença. Tanta gente insiste em reclamar, reclamar, reclamar e reclamar de novo, sempre. E, então, vem aquela enxurrada de consequências piores. Longe de mim falar em lei da atração, mas essa postura carregada de negatividade parece trazer sempre o que há de pior junto a ela, como em um ciclo.
 
Aí, não satisfeito de fazer de sua vida miserável, você começa a fazer o mesmo com a dos outros. "Ora, eles não podem ser felizes, como não sou", você pensa lá no seu íntimo, aonde nem você mesmo consegue chegar. E, então, você se torna um aparato do mal, fere, machuca, grita, reclama (de novo), humilha. Não entende (nem faz questão) como essas pessoas aceitam as mazelas da vida, porque você não se conforma com elas.
 
Só que nessa trajetória, passamos por maus bocados, às vezes por escolha, noutras por azar e, em alguns casos, por injustiça mesmo. Não adianta nos culparmos, nem aos outros. Não vale cruzar os braços ou virar a cara. Nos resta buscar o que há de melhor dentro de nós e refletir isso no tratamento aos outros. Quem sabe assim não alcançamos o que há de melhor em cada um?

Nany Mata
Jornalista, especialista em Gestão Estratégica em Comunicação, ambos pela PUC Minas. Trabalhou e é voluntária da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac), entidade sem fins lucrativos que visa a humanização no cumprimento da pena e a ressocialização de indivíduos que cometeram delitos. Como funcionária da entidade, tornou-se também voluntária e entusiasta dos Direitos Humanos. Atualmente é assessora de imprensa, tem ainda experiência como community manager, social media e reportagem.
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