14 Dez 2016 | domtotal.com

Cinema Novo


Os recortes de um novo cinema nacional.

(Divulgação)

Por Charles Mascarenhas

Pouco se conhece sobre o cinema brasileiro no próprio Brasil, isso porque, na história do cinema nacional há o registro de baixas qualidades em suas produções, devido à falência das grandes companhias cinematográficas no país no final da década de 40.

Diferentemente, o cinema americano sempre esteve consolidado em vários países, em razão de sua grande industrialização.

Ou seja, o grande público sempre optou por produções americanas, consequentemente, desconhecendo o que é produzido no Brasil.
No início da década de 50, jovens artistas e intelectuais, com o desejo de fazer um novo estilo de cinema no Brasil, deram início as ideias de um movimento conhecido nacional e internacionalmente como “Cinema Novo”, que tinha por características, filmar as ruas, a cidade, o povo... a realidade como ela era.

O objetivo desses jovens cineastas da época era produzir obras baratas, para retratar a realidade política, social e econômica do Brasil. O Neo-realismo Italiano e a Nouvelle Vague francesa foram os movimentos artísticos que mais inspiraram os cineastas brasileiros.
Filmes como Vidas Secas (Nelson Pereira dos Santos); e Deus e o Diabo na Terra do Sol (Glauber Rocha), marcam o início do movimento Cinema Novo, nos anos 60.

Estes e outros filmes, que seguiam o novo estilo cinematográfico, passaram a ser reconhecidos internacionalmente e nacionalmente, depois de participarem de festivais em Cannes e Berlim.

Pensando nesse movimento artístico da época, Eryk Rocha, filho de Glauber Rocha, dirigiu o documentário Cinema Novo, que é um olhar sobre o movimento que destacou o Brasil na cena cinematográfica mundial.

Com uma narrativa construída por entrevistas e um rico documento de arquivo, o documentário traz os cineastas Glauber Rocha, Cacá Diegues, Nelson Pereira dos Santos, Paulo Cézar Saraceni, Leon Hirszman, que falam sobre a estética e o companheirismo para se fazer o Cinema Novo.

A riqueza do trabalho de Eryk se dá na montagem. Ele reúne as entrevistas de arquivo, as principais obras produzidas pelos cineastas do Cinema Novo, recorta várias cenas e as mistura, criando uma coerência estética.

Para quem já conhece os filmes que compõem o Cinema Novo, embarcará numa nova viagem proposta por Eryk Rocha, que destaca as ideias de “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”.

Charles Mascarenhas
Charles Mascarenhas é estudante de Comunicação Social em Cinema pela Puc-Minas, onde tem se dedicado à pesquisa sobre cinema.
Comentários
+ Artigos
Instituições Conveniadas