19 Dez 2016 | domtotal.com

Vergonha no Mundial de Clubes da Fifa


Na abertura da Copa de 2014, Seleção Brasileira foi favorecida por um erro absurdo, e típico, da arbitragem a favor dos
Na abertura da Copa de 2014, Seleção Brasileira foi favorecida por um erro absurdo, e típico, da arbitragem a favor dos "grandes".

Por Juliano Paiva

O que aconteceu na final do Mundial de Clubes da Fifa, entre Real Madrid e Kashima Antlers, é para ser lembrado, analisado e, principalmente, condenado. 

Aos 44 minutos do segundo tempo, com o empate em 2 a 2, Sergio Ramos parou um ataque de Mu e deveria ser expulso ao receber o segundo amarelo. O árbitro Janny Sikazwe (Zâmbia) chegou a colocar a mão no bolso, mas recuou, “pipocou”, como dizem os boleiros, ao lembrar que Ramos já tinha o amarelo. 

A cena evidencia, escancara, o que todos do mundo da bola sabem, mas muitos, senão a maioria, fazem questão de fazer vistas grossas. Os árbitros, no planeta inteiro, têm receio, para não dizer medo, de errarem contra os times da mídia, os esquadrões do momento, os queridinhos da opinião pública, aquele que movimenta milhões em patrocínio, o que lidera o campeonato ou o dito melhor do mundo.  

No Campeonato Brasileiro é difícil passar três, quatro rodadas sem que isso aconteça. Todo torcedor é capaz de lembrar uma “ajudinha” ao líder do Brasileirão, seja qual time for, pode ser o de 2016 ou o de quatro ou dez anos atrás. 

Quem lidera está mais na mídia. E todo mundo é bombardeado com o time do momento. Nas redes sociais os torcedores se movimentam para empurrar ou secar o líder, na TV temos mais minutos para ele e as matérias especiais, no rádio é a entrevista com o treinador do dito cujo. Um árbitro é capaz de ir para um jogo sem sentir esse “clima”? Claro que não!

E na Copa do Mundo? Não podemos ser inocentes. Não é nada diferente. Lembram do pênalti vergonhoso a favor do Brasil na abertura da Copa 2014 contra a Croácia? Pois é. O árbitro só assinalou a penalidade em Fred porque era a Seleção Brasileira pentacampeã na abertura do Mundial que sediava após 54 anos. Se fosse o contrário, era capaz do senhor Yushi Nishimura, do Japão, dar amarelo para o croata por simulação. Mas como era o badaladíssimo Brasil de Neymar e companhia...

Para que fique bem claro, eu não estou dizendo que os árbitros “roubam” para os times mais em evidencia ou grandes dependendo da situação. O que estou dizendo é que os árbitros têm medo de errar contra estes mesmos times, pois o erro ganha dimensões intergalácticas, o que não acontece quando se erra contra um pequeno ou contra aquela equipe, mesmo grande, de meio de tabela num campeonato de pontos corridos. 

Para justificar isso o que mais se ouve é que os árbitros são ruins tecnicamente. E são mesmo. Mas não se limita a isso. Os apitadores deveriam ser imparciais, apitar da mesma forma para o time A e B, seja líder ou não, o melhor do mundo ou o lanterna do Campeonato Paulista, mas não o fazem por medo. Não é algo premeditado, é inconsciente. Quando se dão conta já erraram e prejudicaram o campeonato ou copa além de frustrar milhões de torcedores do time ou seleção prejudicados.   

Juliano Paiva
é jornalista formado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente editor do Dom Total, Paiva trabalhou nos jornais O Tempo, Hoje em Dia e no extinto Diário da Tarde, tradicional periódico de Belo horizonte fechado pelos Associados Minas em julho de 2007. No DT, começou como repórter da editoria Cidades, mas, na época do fechamento do jornal, fazia cobertura esportiva. Também foi responsável pela cobertura de jogos do Campeonato Brasileiro para a Folha de São Paulo no segundo semestre de 2007.
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