04 Jan 2017 | domtotal.com

É possível viver longe do atual modelo de civilização?

Foco da narrativa de 'Capitão Fantástico' é a possibilidade de uma educação alternativa.

Capitão Fantástico é sem dúvidas uma crítica social.
Capitão Fantástico é sem dúvidas uma crítica social.

Por Charles Mascarenhas

Viver longe da civilização é um tanto quanto difícil, quando se está acostumado às grandes cidades, ao consumismo exacerbado e a constante evolução tecnológica, mas há quem consiga viver bem se desvinculando de tudo isso. É o caso de Capitão Fantástico, segundo filme roteirizado e dirigido por Matt Ross.

Pelo título imagina-se que seja um filme dos clássicos super-heróis da indústria cinematográfica, mas o cartaz que o ilustra diz o contrário.

Capitão Fantástico trata do estilo de vida adotado por Bem Cash (Viggo Mortensen), que junto com sua mulher, se afastam da sociedade consumista americana. Eles vão morar em meio a uma floresta e ali criar seus filhos, ensinando-os técnicas de caça, sobrevivência e autodefesa. O foco da narrativa é a possibilidade de uma educação alternativa, que os tornem pessoas inteligentes, críticos e independentes da sociedade que eles vivem a margem.

Ao invés de celebrarem o natal como todo “bom” americano, a família Cash, que vive afastada do centro urbano, acredita que é mais inteligente se celebrar o aniversário do filósofo e ativista político, Noam Chomsky.

O primeiro contato que as crianças tem com o “mundo real” é quando a mãe delas falece, depois de algum tempo internada num hospital, falece em New Mexico. A morte da mãe tira as crianças daquele mundo paralelo da floresta. O corpo da matriarca precisava ser cremado, como era o desejo dela em vida e não enterrado, como era o desejo dos seus pais.

A chegada deles à cidade é, de fato, um choque de realidade, e o diretor Ross explora isso muito bem. As grandes marcas de produtos, que compõem a poluição visual da urbe são observadas pela janela do ônibus e um outdoor com a imagem de Tio Sam questiona “Invasão ou Imigração?”.

Capitão Fantástico é sem dúvidas uma crítica social. Se por um lado Ben pode não ser bem visto por não permitir com que seus filhos tenham escolhas próprias (o que pode ser uma contradição, já que ele os incentiva a serem independentes), por outro, é notável que sua preocupação é  sempre na tentativa de protegê-los do sistema capitalista.

Tocante, inteligente e engraçado, dentro de sua proposta, Capitão Fantástico surpreende também pela bela interpretação da canção Sweet Child O’ Mine, de Guns N’ Roses, feita pelas crianças e a fotografia de Stéphane Fontaine. Deve-se ressaltar que a qualidade de Capitão Fantástico não se abalou com baixo orçamento obtido.

Confira o trailer:

Charles Mascarenhas
Charles Mascarenhas é estudante de Comunicação Social em Cinema pela Puc-Minas, onde tem se dedicado à pesquisa sobre cinema.
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