09 Jan 2017 | domtotal.com

#DeuRuim! Vem aí a nova Copa do Mundo da FIFA


A Copa vai mudar. O campeão, ou campeã como a Alemanha, ainda fará sete partidas, mas isso será uma das poucas coisas boas que permanecerá.
A Copa vai mudar. O campeão, ou campeã como a Alemanha, ainda fará sete partidas, mas isso será uma das poucas coisas boas que permanecerá.

Por Juliano Paiva

A Copa do Mundo vai mudar. Para melhor ou pior só teremos certeza na prática, em 2026, quando a bola rolar no novo formato que deve contar com 48 seleções distribuídas em 16 grupos, três em cada um.

As duas melhores de cada chave se classificarão para a fase 16-avos de final que terá, então, 32 seleções jogando o mata-mata.  Os países eliminados na primeira fase farão apenas duas partidas e haverá cinco fases eliminatórias (16-avos de final, oitavas, quartas, semifinal e final) com os finalistas fazendo sete partidas.

Gianni Infantino, presidente da FIFA, tem preferência pela fórmula acima e deve conseguir aprova-la facilmente. Os críticos do novo formato não gostam do fato de cada grupo ter número ímpar de seleções: três.  Seria um convite à marmelada já que uma equipe folgará na última rodada enquanto as outras duas poderiam fazer o famoso “jogo de compadres” com um resultado, provavelmente empate, que favoreceria a ambas.

Para evitar isso, todo jogo que terminar empatado, a partir de 2026, será decidido nos pênaltis. Sempre haverá um vencedor. É o que argumenta Infantino e o que ele pretende aprovar no Congresso da FIFA.

Mesmo com o dispositivo antimarmelada me parece que a nova Copa do Mundo perderá um pouco do seu charme. É bizarro imaginar que um elenco inteiro pode ter de ficar dois ou três dias a mais no país sede, esperando o jogo decisivo entre as outras duas seleções do seu grupo, e depois ter que voltar para casa porque o resultado não o favoreceu.

E se a seleção “x” conseguir a classificação “fora de campo”? Haverá equipes de mídia do mundo inteiro na concentração da tal seleção para mostrar a reação dos jogadores ao ver, pela TV ou internet, o árbitro apitar o fim da outra partida com o resultado que a beneficiou? Muito estranho, não? Não é assim que conhecemos o futebol.  E a torcida? Irá para frente do hotel ou centro de treinamento onde está a sua seleção para “torcer” por ela enquanto rola o outro jogo?

A nova Copa do Mundo também preocupa pela qualidade técnica. Fala-se que a América do Sul, por exemplo, terá sete vagas. No novo formato, levando-se em conta a tabela das Eliminatórias da Copa 2018, somente Peru, Bolívia e Venezuela ficariam fora do Mundial em 2026. Hoje são quatro vagas diretas e uma na repescagem.

Tomemos como exemplo o inchaço da Taça Libertadores e da Copa Sul-Americana para reforçarmos o coro contra mudanças radicais na Copa do Mundo. No ano passado, o Sport chegou à última rodada do Campeonato Brasileiro podendo ser rebaixado. Mas o Leão venceu e, além de escapar da Série B, conseguiu uma vaguinha na Sul-Americana. Quanto à Libertadores, até Corinthians, com uma campanha de altos e baixos, e Cruzeiro, que chegou a ser lanterna, tiveram chances de disputar o maior torneio continental em 2017.

Imaginem então o nível técnico de algumas seleções que chegarão ao Mundial? Além disso, as chances de termos clássicos e grupos da morte na primeira fase, que são sempre um grande atrativo, diminuirão consideravelmente.

Como dizem por aí, “deu ruim” porque a probabilidade de essa proposta não ser aprovada é bem pequena. Nos resta então aproveitar aos duas últimas Copas no formato que aprendemos a gostar. Na Rússia, em 2018, e no Catar, em 2022. 

Juliano Paiva
é jornalista formado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente editor do Dom Total, Paiva trabalhou nos jornais O Tempo, Hoje em Dia e no extinto Diário da Tarde, tradicional periódico de Belo horizonte fechado pelos Associados Minas em julho de 2007. No DT, começou como repórter da editoria Cidades, mas, na época do fechamento do jornal, fazia cobertura esportiva. Também foi responsável pela cobertura de jogos do Campeonato Brasileiro para a Folha de São Paulo no segundo semestre de 2007.
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