21 Fev 2017 | domtotal.com

Federação Paranaense de Futebol desrespeitou Princípio da Razoabilidade


Dupla Atletiba aguardou o apito inicial do árbitro que não aconteceu; 25 mil torcedores voltaram frustrados para casa.
Dupla Atletiba aguardou o apito inicial do árbitro que não aconteceu; 25 mil torcedores voltaram frustrados para casa. (Gazeta Esportiva)

Por Juliano Paiva

Raiva! Indignação! Vergonha! Todo boleiro está “p” da vida com o que aconteceu no final de semana. A não realização do Atletiba foi um grande vexame. Um tapa na cara daquele torcedor que se programou a semana inteira para levar à família, ir com os amigos, os colegas de trabalho.
 
Imagine a frustação do torcedor que planejou sua “iniciação” em um dos maiores clássicos do Brasil, Atlético-PR x Coritiba? O futebol e sua razão de ser, a torcida, ficaram em segundo plano. O motivo? A Federação Paranaense de Futebol (FPF) não quis credenciar 12 profissionais de imprensa “em cima da hora”. Dá para acreditar? Claro que não! Nesse angu tem caroço!

E o caroço foi nomeado pelos dois clubes: Rede Globo, a detentora dos direitos de transmissão dos campeonatos no país.  A Globo teria oferecido R$ 1 milhão para cada um dos clubes, o que foi classificado por suas diretorias como “esmola”. Furacão e Coxa, então, recusaram a oferta e decidiram transmitir a partida via YouTube.  

Os 12 profissionais de imprensa, que viabilizariam a transmissão online, foram classificados pela FPF como "pessoas estranhas no entorno do gramado", pois não haviam sido credenciados com “48 horas de antecedência”.  A ordem foi dada ao árbitro Paulo Roberto Alves Junior: o jogo não poderia ser iniciado com aqueles profissionais em campo. E não foi! Os clubes disseram que eles não sairiam porque fariam a transmissão via YouTube.

Será que a FPF já ouviu falar do Princípio da Razoabilidade? O prejuízo gerado com a não realização do clássico foi muito maior do que se fosse feito o credenciamento em cima da hora. As palavras não são minhas. São de Carlos Henrique Carvalho Amaral, professor de Processo Penal I e II da graduação na  Dom Helder Escola de Direito, de Belo Horizonte (MG).
 
E, sinceramente, seria o mais sensato a ser feito. Havia cerca de 25 mil torcedores na Arena da Baixada e 170 mil conectados no YouTube.

Será que se a Globo tivesse conseguido comprar os direitos de transmissão da partida o presidente da FPF, Hélio Cury, seria contra a realização do clássico? Duvido! Mesmo porque já teve jogo do Campeonato Paraense realizado com "pessoas estranhas no entorno do gramado". Não houve cancelamento.

E pior: o quarto árbitro do Atletiba, Rafael Traci, foi flagrado conversando com dirigentes do Coritiba dizendo, com todas as letras, que o jogo não seria realizado por causa da transmissão que seria feita via YouTube.  
 


 
E agora, José? Hélio Cury? Globo? Bom Senso (que não se manifestou)? Atlético-PR? Coritiba? Flamengo? Fluminense? Vasco? Botafogo? São Paulo? Palmeiras? Corinthians? Santos? Atlético? Cruzeiro? Internacional? Grêmio?
 
E agora?

Juliano Paiva
é jornalista formado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente editor do Dom Total, Paiva trabalhou nos jornais O Tempo, Hoje em Dia e no extinto Diário da Tarde, tradicional periódico de Belo horizonte fechado pelos Associados Minas em julho de 2007. No DT, começou como repórter da editoria Cidades, mas, na época do fechamento do jornal, fazia cobertura esportiva. Também foi responsável pela cobertura de jogos do Campeonato Brasileiro para a Folha de São Paulo no segundo semestre de 2007.
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