24 Fev 2017 | domtotal.com

O Pior dos Poderes


Por Marcel Farah

Qual será o mais repugnante, ou o que há de pior nos poderes da República?

Na conjuntura atual o Legislativo é provavelmente o poder pelo qual mais se sente desprezo entre a população.

Não que o Judiciário não seja uma caixa preta, em que ninguém é chamado a opinar sobre quem deve ou não deve ser juiz ou promotor, nem que o Executivo também não seja foco de várias reclamações, mas o Legislativo, além da canalhice permanente é um labirinto indecifrável pela população. Tanto no dia-a-dia dos mais de seiscentos congressistas, quanto na eleição de tanta gente é difícil encontrar quem o saiba bastante para não cair no conto dos hipócritas.

Mas este não é um argumento a mais para um discurso contra a política em si. Dizer que política, religião e futebol não se discute, ou condenar a tal “classe política” é para quem quer o povo longe da política. Meu interesse declarado é que as pessoas se envolvam cada dia mais, que a política seja assunto da mesa de almoço, da mesa do bar, das missas, das reuniões escolares, dos grupos de zap e por ai vai.

Temos uma democracia predominantemente formal, em que a participação popular esbarra em supostas limitações reais da representação política. Mesmo que exista o referendo e o plebiscito na Constituição, como dois instrumentos de exercício do poder popular, os mesmos não são utilizados sem o aval do Congresso. Até para emplacar um projeto de lei popular, todo o trabalho requerido resulta no máximo em um projeto, como existem aos milhares em tramitação eterna pelo Parlamento.

As regras democráticas estão muito aquém do que poderiam e deveriam ser para aproximar o povo da política institucional. Proximidade que é condição para que melhor entendamos a dinâmica e os interesses dos integrantes do Congresso Nacional a ponto de compreender todo o significado da afirmação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, de que em 2014 foi eleito o Congresso mais conservador desde 1964. Um prenúncio e um alerta sobre as possibilidades de golpe contra o governo progressista que fora eleito. Possibilidade que se confirmou em 2016.

Portanto, não falo de um problema estrutural do sistema político, ou da política em si, o asco que se sente pelo Congresso é pelo papel destacado que ele desempenha principalmente a partir da eleição de sua mais conservadora composição desde o Congresso que legitimou a ditadura militar.

Este Congresso, lógico, não sem apoio da mídia e do judiciário, tanto permitiu a supressão da vontade da maioria da população que elegera Dilma e seu programa politico, contra o neoliberalismo estampado na cara de Aécio Neves, como tem dado continuidade à implementação transloucada do dito derrotado programa.

Privatizações, elitização do ensino médio, partidarização do STF, corte de investimentos, entrega da Petrobrás, arrocho, reforma da previdência… o que é isso, voltamos aos piores momentos do governo FHC? É o que parece. Não fosse a repentina debandada de José–citado-várias-vezes-na-lava-jato-Serra. O que pode indicar uma tentativa de afastamento do PSDB do mar de lama do governo golpista.

Para coroar o cenário, Jucá ou Caju, como é conhecido pela Odebretch, falou o que todo o povo tem dito a algum tempo, se é uma suruba é pra todo mundo, e não somente para alguns. Afinal, quem tá na lama é pra se sujar.
Aguardamos a queda do governo golpista.

Marcel Farah
Educador Popular
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