03 Mar 2017 | domtotal.com

Como chegar em 2018?


Por Marcel Farah

Ando preocupado com o que nos aguarda em 2018. Afinal, todo o cálculo político realizado pelos atores centrais do sistema de poder neste ano têm em mira 2018.

Trata-se do ano em que poderão ocorrer novas eleições presidenciais e legislativas com dois possíveis sentidos:

1. Limpar a barra do golpe e legitimar uma retomada conservadora do Governo Federal após um lapso de 13 anos, ou

2. Comprovar que o povo não aceita o golpe e reafirma seu posicionamento de apoio ao programa implementado pelos governos petistas nestes 13 anos, ou algo mais avançado ainda.

O programa dos governos petistas, na prática esteve caracterizado por uma estratégia neo-desenvolvimentista, para o qual o central foi a ampliação e o fortalecimento da democracia via participação social institucionalizada, distribuição de renda e uma política externa soberana.

Ou seja, mesmo progressista é uma estratégia que não toca em nódulos centrais de sustentação da iniquidade em nossa sociedade, como a concentração de terras, a concentração do mercado financeiro e bancário, a concentração dos meios de comunicação, a regressividade tributária, a desindustrialização e a predominante tendência de mercantilização da cultura que se desdobra em mercantilização de direitos como a educação, a saúde, a segurança, o lazer etc.

Por isso não minou o poder dos setores conservadores que em 2016, se rearticularam em torno do golpe.

Do outro lado, o programa do golpe é o que está em implementação e fora defendido pelo PSDB, e não pelo PMDB, nas últimas 4 eleições presidenciais, um programa neoliberal.

A estratégia central para este pessoal, representantes das indústrias e do mercado financeiro, é a desregulação da economia, o arrocho orçamentário como princípio, a venda de ativos estatais, a precarização do serviços públicos, a terceirização, privatizações, e a liberdade total para o mercado e para a mercantilização de direitos.

Obviamente estaremos diante de mais um processo eleitoral muito influenciado pelo poder econômico e midiático, o que torna a vida de qualquer organização de esquerda muito mais difícil.

Também é preciso considerar que uma candidatura forte de esquerda em 2018, de Lula, por exemplo, pode tornar-se inviável caso o consórcio midiático judiciário obtenha êxito na perseguição que vem colocando em prática. Sobre esta perseguição basta perceber como Lula voltou a ser alvo dos noticiários após a pesquisa eleitoral que previu sua vitória em todos os cenários eleitorais entre semana passada e esta semana.

Por fim, cresce a força de segmentos extremamente reacionários em torno de candidaturas como a de Jair Bolsonaro, torturador, defensor da ditadura, além de homofóbico, machista, e tudo o que há de pior na extrema direita. Por hora ainda é mais piada do que possibilidade, mas é bom lembrar que o mesmo se dizia da candidatura de Trump um tempo antes de sua vitória.

Como chegar em 2018?

Uma questão é como derrotar a mídia, o judiciário conservador, a direita institucional golpista, a extrema direita, o poder econômico e o neoliberalismo. Outra questão é sobre nossa estratégia. No que ela se diferenciará da estratégia neo-desenvolvimentista, o que daremos continuidade e o que mudaremos? Ou não mudaremos?

Um desafio é para fora, relativo a nossos inimigos, outro é para dentro, relativo a nós.

Continuaremos sem tocar nas feridas da má distruibuição de renda, da desigualdade no acesso à terra, às comunicações, à justiça, à cultura? Continuaremos nos omitindo em relação à disputa de hegemonia?

Portanto, além do caminho para chegar em 2018 é importante definir com que estratégia chegar em 2018.

Marcel Farah
Educador Popular
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