10 Mar 2017 | domtotal.com

Resultado econômico do golpe: PIB cai 3,6%


Por Marcel Farah

O Produto Interno Bruto, agregado macroeconômico que indica o nível da produção de riqueza do país, caiu pelo segundo ano consecutivo. Em 2015 tivemos uma retração de 3,8% e este ano de 3,6%.

Trata-se da maior retração registrada desde 1946, com uma queda acumulada de 7,2% em 2015 e 2016 para o PIB, e no patamar de 9,1% para o PIB per capta.

Em termos mais palpáveis a população empobreceu em média 9,1%.

Considerando o patamar de desigualdade brasileiro, a maioria da população empobreceu muito mais do que isso, e uma minoria da ordem de 5% a 1% pode até ter enriquecido.

Há um discurso uníssono na mídia de que se trata do resultado de anos de “gastança desenfreada” dos governos petistas, como fica evidente pela repercussão dada à frase de Henrique Meirelles de que o resultado é “espelho retrovisor”.

Há quem reforce o discurso propalado pelo governo de implante de que o pior já passou, ou de que a PEC dos gastos e a reforma da previdência, que emprobrecerão ainda mais os mais pobres, resultarão em retomada do folego dos investimentos revertendo o cenário de desemprego e desaceleração.

Mas há contrapontos, a professora da USP, Laura Carvalho, considera que “o governo Temer não parece mesmo ter vindo para assegurar a estabilidade política, superar o caos institucional ou colocar o país nos trilhos”.

Carvalho, que é doutora em economista, também discorda do diagnóstico simplista de “gastança desenfreada”, para ela “a deterioração das contas públicas desde o primeiro mandato de Dilma Roussef é sobretudo fruto de uma queda na arrecadação”, o que ocorreu por erro da equipe de Dilma, mas estava em processo de reversão, que foi interrompido pelo golpeachment.

Luis Nassif concorda com a análise e fulmina “A culpa de Dilma e Temer foi a da semi-ignorância de uma, da ignorância ampla de outro, deixando a condução do país nas mãos de técnicos e Ministros de pequena estatura, escasso conhecimento geral.”

Nassif explica: “A tragédia brasileira pós-redemocratização é fruto direto da ação deletéria dos economistas brasileiros, alguns com interesses financeiros explícitos – como a geração do Plano Real -, outros com a ignorância fatal dos falsos especialistas, os que confiam cegamente em respostas de manuais, com total incapacidade de enxergar o todo.”

Quem propaga um discurso da gastança, mesmo confrontado pelo dado de que o estado gastou menos no período Dilma; ou quem propaga o discurso de que o pior já passou, cumpre um papel bastante específico no cenário atual, legitimar o golpe.

Não é miopia, não é incapacidade de análise, é interesse político. Principalmente em se tratando de meios de comunicação de massa.
E os dados divulgados pelo IBGE parecem revelar algo ainda mais curioso, a retração do PIB vinha diminuindo desde meados de 2015, mas o movimento se inverte aumentando a retração em meados de 2016.

Conclusão, o golpe aprofundou a recessão.

Marcel Farah
Educador Popular
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