20 Mar 2017 | domtotal.com

Futebol de raiz no Campeonato Mineiro


Futebol de raiz escancarado pra todo mundo ver é mais comum do que todos imaginam.
Futebol de raiz escancarado pra todo mundo ver é mais comum do que todos imaginam. Foto (Bruno Cantini/Atlético-MG)
Futebol de raiz escancarado pra todo mundo ver é mais comum do que todos imaginam.
Futebol de raiz escancarado pra todo mundo ver é mais comum do que todos imaginam. Foto (Bruno Cantini/Atlético-MG)
Futebol de raiz escancarado pra todo mundo ver é mais comum do que todos imaginam.
Futebol de raiz escancarado pra todo mundo ver é mais comum do que todos imaginam. Foto (Bruno Cantini/Atlético-MG)
Futebol de raiz escancarado pra todo mundo ver é mais comum do que todos imaginam.
Futebol de raiz escancarado pra todo mundo ver é mais comum do que todos imaginam. Foto (Gazeta Press)
Futebol de raiz escancarado pra todo mundo ver é mais comum do que todos imaginam.
Futebol de raiz escancarado pra todo mundo ver é mais comum do que todos imaginam. Foto (Gazeta Press)

Por Juliano Paiva

Expectativa no Farião, em Divinópolis, para que o árbitro desse início à partida entre Tricordiano e Atlético. Alguns segundos já haviam se passado das 16h, horário do jogo, e nada. Jerferson Antônio da Costa preferiu esperar um trem passar, colado ao estádio, para autorizar o pontapé inicial. Ele queria que todos ouvissem o seu apito que, obviamente, seria abafado pelo apito do trem.   
 
Essa foi apenas uma das peculiaridades da partida entre o líder do Campeonato Mineiro e o time do interior no sábado passado. Depois do empate do Tricordiano demorou para que o gandula, sim, o gandula, calmamente, pegasse uma escada e a apoiasse no placar para subir, tirar o 0 e colocar o número 1 no lugar. 

Os “patrocinadores” também chamavam a atenção. Silvio Montagens disputava o olhar do público com a Sicoob, que dá nome à competição em 2017. E as cadeiras, arquibancadas? Acanhadas, espremidas. Era difícil até tremular a bandeira. Mas boa parte dos torcedores, e põe boa parte nisso, preferiu mesmo as casas ao redor do Farião, se amontoando até nos telhados. 

No banco de reservas foi preciso improvisar para não torrar no sol. Camisas foram penduradas no teto para proteger os jogadores. Mesmo assim teve quem colocou uma toalha na cabeça. 

Dois gols, de certa forma, foram uma homenagem a esse ambiente pitoresco. Quando Jeferson chutou – de muito, muito longe – em direção ao gol do Atlético, Giovanni não esperava que a bola quicasse antes e morresse nas redes. O goleiro justificou a falha dizendo que aquela e todas as bolas do jogo estavam murchas.  

Rafael Moura também fez um gol digno de pelada, o que não é demérito, pelo contrário. Na raça, do jeito que a torcida gosta, ao estilo Dadá Maravilha. Depois do bate rebate na grande área, a bola sobrou para He-Man decretar a vitória atleticana. Quer gol mais de raiz que o de um torcedor declarado do clube que veste a camisa que ama? 

Assim foi o Tricordiano x Atlético. Futebol à moda antiga, de raiz? De raiz sim, antigo nem tanto. 
 
Podem ter certeza, esse tipo de jogo é muito mais comum do que todos nós podemos imaginar. A partida nos pareceu “estranha” porque estamos acostumados a ver, na maior parte do ano, um Palmeiras x Atlético, no Alianz Parque, ou um Corinthians x Flamengo, na Arena Corinthians.  

Tudo muito lindo e, de certa maneira, falso. Falso porque temos muitos mais times nas séries B, C, D – fora as equipes sem divisão – do que na elite do futebol brasileiro. 

No Brasil, ainda temos muito mais futebol de raiz do que futebol Nutella. 

Juliano Paiva
é jornalista formado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente editor do Dom Total, Paiva trabalhou nos jornais O Tempo, Hoje em Dia e no extinto Diário da Tarde, tradicional periódico de Belo horizonte fechado pelos Associados Minas em julho de 2007. No DT, começou como repórter da editoria Cidades, mas, na época do fechamento do jornal, fazia cobertura esportiva. Também foi responsável pela cobertura de jogos do Campeonato Brasileiro para a Folha de São Paulo no segundo semestre de 2007.
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