12 Abr 2017 | domtotal.com

Nu de botas

Crônicas de Antônio Prata chegam aos palcos de Belo Horizonte.

Crônicas de Antônio Prata chegam aos palcos de Belo Horizonte.
Crônicas de Antônio Prata chegam aos palcos de Belo Horizonte.

Por Charles Mascarenhas

A infância é a fase da vivência e percepção do mundo a partir do olhar, do sentir e do tocar.

Quando aprendem a se comunicar, as crianças enfrentam muitas questões sobre o universo em que acabaram de ser inseridas, e tentam desvendar os “mistérios” que normalmente lhes perturbam.

Pensando nisso, o escritor Antônio Prata escreveu, com base na própria infância, crônicas de suas aventuras, e as reuniu no seu livro, ‘Nu de Botas’, que ganhou adaptação homônima para o teatro, sob direção de Cristina Moura.

Na peça, um cenário sem vida, totalmente revestido por papel Kraft. As crianças (interpretadas por adultos) enfrentam seus dilemas cotidianos, e o primeiro acontece, quando no banheiro, antes de fazer xixi, um garoto reflete sobre urinar ou não para fora do vaso sanitário. Essa dúvida que lhe surge num momento de alívio fisiológico, vem carregada de muitos significados, que naquela fase serão decisivas na vida daquele menino.

Para ele, urinar fora do vaso estaria remetido a ideia de liberdade, aventuras, descobertas de si e do mundo.

As crônicas são narradas por cinco atores. Os relatos das primeiras paixões, as viagens inusitadas e o sofrimento por descobrir que no romance Romeu e Julieta, o final não é feliz, fazem parte das memórias de infância do autor Antônio Prata, e provocam a imaginação do público.

Com montagem simples, cenário que não chama tanto a atenção (a não ser pelos objetos de cena e todo o cenário revestidos de papel kraft)  e figurinos que não se relacionam à caracterização infantil, a peça se apóia sobretudo nas interpretações dos atores.

A iluminação cria muitos momentos essenciais na peça, porém a trilha sonora inserida em alguns momentos não condiz com o que está em cena e isso incomoda.

A montagem Nu de botas cumpre temporada no CCBB de Belo Horizonte. E vale lembrar que é uma peça voltada principalmente para o publico adulto, já que algumas piadas são captadas melhor por quem viveu nos anos 80.

Charles Mascarenhas
Charles Mascarenhas é estudante de Comunicação Social em Cinema pela Puc-Minas, onde tem se dedicado à pesquisa sobre cinema.
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