28 Abr 2017 | domtotal.com

Greve geral e a hora da virada - #sqn!


O cenário é favorável à greve.
O cenário é favorável à greve.

Por Marcel Farah

Esta sexta-feira marca um momento histórico da luta pela democracia no Brasil. Depois de mais de 20 anos (desde 1996 o país não tem uma greve geral), voltamos à expressão máxima da luta da classe trabalhadora contra os patrões e o governo, juntos.

Esta, como toda greve, tem um caráter de manifestação, de luta e também um caráter educativo. Trata-se da vivência de forma mais explícita da luta de classes, e isso não significa que seja violenta. É essencialmente uma manifestação política.

A unidade conquistada para a organização desta greve superou o campo da esquerda que resiste ao golpe, superou o grito de Fora Temer, e representa uma diversidade política muito grande.

O cenário é favorável à greve, tanto devido à crise econômica que não arrefeceu como prometido pelos políticos que levaram o golpe à diante, quanto pelas propostas e programa do governo golpista de Michel Temer.

Temer tem sido cada dia mais rejeitado pela população. Apenas 4% dos entrevistados pela última pesquisa do instituto Ipsos aprovam o governo do golpista.

Em contraposição diversos institutos, como o Ibope e Vox Populi, têm publicado pesquisas em que Lula aumenta suas chances de ser eleito ainda no primeiro turno.

O governo de fato, mas não de direito, de Temer corre para aprovar as principais reformas do programa “uma ponte para o futuro”, de caráter neoliberal, que “joga a conta da crise sobre as costas dos e das trabalhadoras”.

Dia 26 de abril foi aprovada na Câmara a reforma trabalhista que fragiliza o caráter protetivo da CLT, contudo, com votos insuficientes para aprovação da malfadada reforma da previdência. Ou seja, o bloco de direita que tomou o poder via golpe parlamentar expõe algumas fissuras. O PSB, até então alinhado ao governo de fato, “fechou questão” contra as reformas. Em contrapartida Temer demitiu por 24h  três de seus ministros o que retirou votos da bancada do PSB, que acabou recuando e dando 14 de seus 30 votos em apoio à reforma trabalhista. Prevaleceu o fisiologismo, mas é possível perceber descontentamentos na base governista.

Contudo, este crescimento da força das ruas versus enfraquecimento do governo no parlamento ainda é insuficiente para reverter os estragos. A questão é que se o parlamento ainda dá maioria ao governo, não há como derrubar o presidente.

Outra saída seria o Judiciário, mas a tendência das cúpulas deste poder é de não se atrever a defender a democracia. A postura passiva dos juízes do STF frente a um impeachment sem crime (agora mais do que comprovado pela confissão de Temer de que o impedimento só foi pra frente porque Dilma não quis salvar Cunha), e sua conivência com a seletividade das investigações e conclusões da Lava-Jato mostram que não devemos esperar muito da “casta togada”.

O que nos resta é o poder do povo, exercido diretamente com organização, formação e luta, na construção de uma nova institucionalidade política. Muita pretensão? Mas é nosso único caminho.

E nesta caminhada é preciso perceber que o governo vem implementando as principais medidas reivindicadas pelas elites (burguesia nacional), com amplo apoio da mídia.

Dia 25, ao noticiar a violência injustificada da polícia do DF contra manifestação legítima dos indígenas do acampamento Terra Livre em Brasília, a repórter da rádio CBN tratou a atitude policial como uma medida necessária para evitar que uma suposta invasão do Congresso.

Ou seja, além da missão de denunciar o golpe, apoiar e fortalecer a organização popular, é preciso construir instrumentos de comunicação popular que desmascarem os discursos propalados pelas grandes empresas da comunicação.

Por outro lado, nada está certo sobre 2018. Conseguirá a esquerda manter Lula elegível frente a perseguição que vem sendo feita pela mídia e judiciário contra o mesmo? E se a esquerda conseguir, haverá mesmo eleições em 2018? E quanto ao parlamento, que sustentou toda a sujeira dos últimos tempos, haverá como mudar sua composição? O povo vai eleger de novo outros Cunhas, Bolsonaros, Eunícios, Renans, Dias, Maias etc?

Por tudo isso, à greve geral do dia 28, um dia de luta para barrar uma vida de retrocessos…. e muito mais.

Marcel Farah
Educador Popular
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