15 Mai 2017 | domtotal.com

O incômodo jejum do Atlético no Campeonato Brasileiro


No aniversário de 109 anos do Atlético, Robinho fez o pedido:
No aniversário de 109 anos do Atlético, Robinho fez o pedido: "o Brasileiro esse ano". (Bruno Cantini/Atlético-MG)

Por Juliano Paiva

No aniversário de 109 anos do Atlético, Robinho fez o pedido: “o Brasileiro esse ano”. Há 14 meses no Galo, o Pedalada deixa claro que sabe qual é a obsessão do atleticano. Voltar a ganhar o Nacional é questão de honra. Primeiro campeão brasileiro – título eternizado na estrela amarela do uniforme –, o Atlético não levanta a taça há 45 anos.
 
O 19 de dezembro de 1971 é motivo de orgulho, mas está longe, muito longe da realidade das novas gerações de torcedores do Galo. Dadá Maravilha fez o gol no Maracanã, com cruzamento de Humberto Ramos, que sacramentou a conquista: 1 a 0 sobre o Botafogo. Antes, o Atlético já havia vencido o São Paulo, no Mineirão, também por 1 a 0, gol de Ronaldo.
 
Toda a Massa conhece esse capítulo marcante do clube, mas a maioria absoluta dela não sabe o que é ser campeão brasileiro. Vive da história! Uma história bonita é verdade, mas que passou da hora, e muito, de ser repetida, contada com novos personagens.
 
As gozações
 
Na final do Campeonato Mineiro, o Atlético confirmou a superioridade sobre o Cruzeiro no confronto entre os dois clubes desde 1921. Além de conquistar a 200ª vitória sobre o rival, o Galo venceu o quarto mata-mata dos últimos cinco entre os dois gigantes: final do Mineiro 2013, final da Copa do Brasil 2014, semifinal do Campeonato Mineiro 2015 e decisão do Estadual 2017.
 
O “triunfo” celeste foi na decisão do Estadual 2014. Após dois empates sem gols, o Cruzeiro foi campeão por ter a melhor campanha. Mas mesmo diante de tão bom retrospecto, o atleticano não sai ileso das gozações dos cruzeirenses.
 
Os azuis sempre apelam para o fato de o Atlético estar na fila do Brasileiro há 45 anos. O que mais se houve vindo do lado azul são brincadeiras do tipo: “quando o Galo foi campeão brasileiro, nem existia internet”, “o Brasil era uma ditadura”, “nem meus pais eram nascidos”, “Roberto Carlos era o grande galã nacional nas rádios e no cinema”. As redes sociais não perdoam.
 
Libertadores
 
A vontade de levantar a taça é tão grande que tem torcedor que titubeia ao ser perguntado se prefere ser campeão do Brasileiro ou da Libertadores, em 2017, como se fosse possível escolher.
 
O torneio continental, claro, é mais importante, mas parte da torcida do Atlético não suporta a “seca” de longa data e crava: “quero ser campeão Brasileiro”.
 
Na verdade, o Atlético e outros times como Flamengo, Palmeiras, Santos e Grêmio não precisam, ou pelo menos não deveriam, ter de fazer essa escolha. A Taça Libertadores foi “esticada” por toda a temporada. A finalíssima do torneio continental está marcada para 29 de novembro, quatro dias antes da última rodada do Nacional, em 4 de dezembro.
 
Com bom elenco, inteligência, raça e vontade de fazer história – nunca um time brasileiro ganhou o Nacional e a Taça Libertadores no mesmo ano –, é possível disputar “forte” as duas competições.
 
A Libertadores, então, não pode ser desculpa para um eventual fracasso no Brasileirão.
 
Bate papo com He-Man
 
Robinho conhece bem a importância de voltar a ser campeão brasileiro para o atleticano. Mas, se alguém do elenco ainda não entendeu, sugiro bater um papo com Rafael Moura. He-Man é a personificação do torcedor em campo: fanático, raçudo e obcecado pelo título nacional.
 
Placar

Veja abaixo como a revista Placar noticiou o título de campeão brasileiro do Atlético, em 1971. É O GALO! A edição é de 24 de dezembro, cinco dias após a conquista histórica no Maracanã.
 
Férias
 
Termino aqui minha última coluna antes das férias. Volto no meio de junho. Grande abraço a todos e a todas.
 

Juliano Paiva
é jornalista formado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente editor do Dom Total, Paiva trabalhou nos jornais O Tempo, Hoje em Dia e no extinto Diário da Tarde, tradicional periódico de Belo horizonte fechado pelos Associados Minas em julho de 2007. No DT, começou como repórter da editoria Cidades, mas, na época do fechamento do jornal, fazia cobertura esportiva. Também foi responsável pela cobertura de jogos do Campeonato Brasileiro para a Folha de São Paulo no segundo semestre de 2007.
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