17 Mai 2017 | domtotal.com

Gritos são urgentes

Bonecos-corpos exprimem pedidos de socorro. Companhia Dos à Deux estreia Gritos, fragmentado em três emocionantes poemas.

Bonecos-corpos exprimem pedidos de socorro. Companhia Dos à Deux estreia Gritos, fragmentado em três emocionantes poemas.
Bonecos-corpos exprimem pedidos de socorro. Companhia Dos à Deux estreia Gritos, fragmentado em três emocionantes poemas.

Por Charles Mascarenhas

Gritos – por definição, são sons de vozes agudos e muito elevados, emitidos com esforço e de modo que se possa ouvir; exclamações sonoras e fortes para chamar alguém ou pedir socorro. Gritos também é o nome do espetáculo da companhia franco-brasileira, Dos à Deux, que poeticamente com apenas gestos gritantes, pedem socorro, mas ninguém ouve os gritos dos oprimidos.

Em pouco mais de uma hora, três emocionantes poemas são representados na peça Gritos.                                  

No início, um corpo fragmentado chama atenção. Pernas estiradas de um lado; cabeça e mãos de outro. Descobre-se que são corpos diferentes, são bonecos desmembrados, que ganham vidas a partir das manipulações dos atores e diretores André Curti e Artur Luanda Ribeiro.

O misto de corpos de atores e de bonecos se tornam, depois de um tempo indistinguíveis, a iluminação crua trabalhada como um personagem, dão vivacidade aos bonecos-corpos, e assim permite-se adentrar em suas histórias, que foram construídas a partir do tema: Amor, mas, não do amor propriamente dito, e sim da falta dele.

Os gritos se dividem em três: O primeiro é o de Louise. Ela transborda amor e o doa, mas o mesmo lhe é negado. Até a vida lhe é negada. Morre aos 38 anos, vítima de transfobia.

O grito que vem em seguida está entre os muros que dividem a sociedade e impedem relacionamentos. Corpo e cabeça se separam, e numa espécie de dança, confrontam-se.

E por fim o grito dos inocentes, estes que estão em meio a guerras civis no Oriente Médio. A constante luta pela sobrevivência. Onde se resguardar se não há abrigo? Se não há quem o ofereça?

Num cenário, onde se tem apenas grades, que se adéquam a cada poema e se transformam em prisões, os personagens se tornam o que de fato são atualmente: marginalizados.

A montagem Dos Adeux, que está em temporada até o dia 12 de junho no CCBB-BH, traz uma experiência totalmente visual e metafórica. 

Gritos chama atenção de assuntos urgentes na atualidade.

Apesar de ser extremamente silenciosa, na peça, os gritos de socorro são estridentes, e mesmo no final do espetáculo, não há espaço para falas, apenas para reflexão de quem assistiu.

Confira o teaser da peça:

Charles Mascarenhas
Charles Mascarenhas é estudante de Comunicação Social em Cinema pela Puc-Minas, onde tem se dedicado à pesquisa sobre cinema.
Comentários
+ Artigos
Instituições Conveniadas