18 Mai 2017 | domtotal.com

Governo ameaça o patrimônio de Minas

A impressão que se tem é que o PT quer vingar no povo o fato de suas principais lideranças estarem contra o muro.

Ao optar por um governo inquilino, Pimentel se coloca na contramão dessa ideia.
Ao optar por um governo inquilino, Pimentel se coloca na contramão dessa ideia. (Reprodução)

Por Jorge Fernando dos Santos

Fernando Pimentel fechou a Imprensa Oficial. Agora quer vender o Centro Administrativo Tancredo Neves, o Hospital André Cavalcante, a sede da UEMG em João Monlevade, escolas estaduais e os prédios históricos da Praça da Liberdade. Não bastasse isso, tem gente sugerindo que venda também a Rádio Inconfidência e a Rede Minas de Televisão.

No governo Fernando Henrique Cardoso, privatizar ou vender patrimônio público era um crime. Os petistas não se conformavam. Denunciavam, esperneavam, acusavam o PSDB de vendilhão do templo. No governo Lula, eles começaram a criar “parcerias” com a iniciativa privada. Parcerias que resultaram em muita roubalheira e na quase falência de empresas como a Petrobras.

Se a Assembleia Legislativa de Minas Gerais permitir que Pimentel venda o patrimônio de Minas, será a bancarrota. O governador que está sendo investigado por suspeita de vários crimes mostra-se sem tino para a administração. Não sabe rolar a dívida nem fazer os cortes necessários para minimizar o quadro caótico que ameaça o estado. 

Sem casa própria

Pessoalmente, fui contra a construção do Centro Administrativo Tancredo Neves. Mas qual a vantagem de vendê-lo depois de pronto, se o plano seria manter as secretarias no mesmo lugar, pagando aluguel? Todo mundo alimenta o sonho da casa própria, pois dinheiro de aluguel nunca retorna ao nosso bolso. Ao optar por um governo inquilino, Pimentel se coloca na contramão dessa ideia.

E quanto ao conjunto arquitetônico da Praça da Liberdade? Quais as garantias de manutenção do tombamento pelo patrimônio histórico? No tocante a escolas e hospitais, o contracenso é ainda maior, pois faltam investimentos públicos em saúde e educação. Só falta agora cogitarem a privatização da Segurança Pública!

A impressão que se tem é que o PT quer vingar no povo o fato de suas principais lideranças estarem contra o muro, constrangidas pelo Ministério Público e pelos juízes que investigam ações ilícitas que faliram o país. Em Minas Gerais não seria diferente. Pratica-se a política de terra arrasada. Sem perspectivas de futuro, o governador quer mais é que o estado se dane.

Jorge Fernando dos Santos
Jornalista, escritor, compositor, tem 43 livros publicados. Entre eles Palmeira Seca (Atual Editora), Prêmio Guimarães Rosa em 1989; ABC da MPB (Paulus), selo altamente recomendável da FNLIJ em 2003; Alguém tem que ficar no gol (Edições SM), finalista do Prêmio Jabuti em 2014; Vandré - o homem que disse não (Geração Editorial), finalista do Prêmio da APCA em 2015.
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