31 Mai 2017 | domtotal.com

Laerte-se, antes que seja tarde!

Laerte abre as portas de sua casa para falar de um assunto que mudou sua vida por completo há pouco menos de dez anos: a descoberta da transexualidade.

O documentário traz um olhar muito sensível e delicado para retratar o universo da cartunista.
O documentário traz um olhar muito sensível e delicado para retratar o universo da cartunista.

Por Charles Mascarenhas

Laerte tornou-se verbo. Transformou-se. Agora é uma ação que indica: Laerte-se!

Mas, o que seria esse impulsionante “verbo” que dá título ao documentário sobre a vida da cartunista e chargista Laerte Coutinho?

Aos 65 anos, Laerte abre as portas de sua casa para falar de um assunto que mudou sua vida por completo há pouco menos de dez anos: a descoberta da transexualidade.

Para muitos, assumir uma nova condição, seja ela sexual/social, vêm acompanhadas, além da libertação, o medo de como a sociedade irá encarar, e a violência, que pode vir em conseqüência disso. Mas, apesar de todas essas dificuldades enfrentadas, há o lado bom: ser quem é e sentir-se bem com isso.

Neste último quesito, Laerte se sai muito bem. O documentário Laerte-se, realizado por Eliane Brum e Lygia Barbosa da Silva traz um olhar muito sensível e delicado para retratar o universo da cartunista, e por fim, revelam uma Laerte cheia de desejos e medos, mas que acima de tudo é muito forte e corajosa. 

As diretoras se mostram muito interessadas em conhecer seu objeto de pesquisa bem de perto e desvendar detalhes sobre ele. Sendo assim, elas se inserem no filme, não como personagens da vida de Laerte, mas como personagens que vieram interferir e conduzir seus depoimentos.

Se no início tudo é incômodo para Laerte (afinal de contas elas têm uma câmera que a observa a todo o momento), depois não é mais.  A presença de terceiros em seu ambiente particular, se torna algo natural, e ela se despe sem pudores diante da câmera, mostrando o que é ser mulher, e que o gênero com o qual se identifica está muito além de ser apenas um corpo feminino.

Numa sociedade que impõe prisões e padrões, a única solução é: Laerte-se você também! 

Sensível, intimista e detalhista, o documentário Laerte-se pode ser visto na Netflix.

Charles Mascarenhas
Charles Mascarenhas é estudante de Comunicação Social em Cinema pela Puc-Minas, onde tem se dedicado à pesquisa sobre cinema.
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