15 Jun 2017 | domtotal.com

Kalil ressuscita a Secretaria de Cultura

No entanto, para firmar sua base aliada na Câmara Municipal, Kalil precisa de apoio à esquerda e à direita.

A articulação de Kalil começa a dar certo. A aprovação da reforma administrativa pelos vereadores nessa quarta-feira (14/6) confirma isso.
A articulação de Kalil começa a dar certo. A aprovação da reforma administrativa pelos vereadores nessa quarta-feira (14/6) confirma isso.

Por Jorge Fernando dos Santos

A julgar pelas pedradas que levei de petistas no Facebook devido ao meu artigo da semana passada, acho que acertei na mosca. Aliás, o prefeito Alexandre Kalil foi quem acertou. Ao nomear o ex-ministro Juca Ferreira para a presidência da Fundação Municipal de Cultura (FMC), ele neutralizou o que poderia ser uma oposição barulhenta na área artística.

No meu artigo, destaquei que a decisão colocou às claras o alinhamento do prefeito com o governador Fernando Pimentel – embora tenha sido eleito pelo PHS como alternativa aos políticos profissionais. No entanto, para firmar sua base aliada na Câmara Municipal, Kalil precisa de apoio à esquerda e à direita.   

Pelo visto, a articulação começa a dar certo. A aprovação da reforma administrativa pelos vereadores nessa quarta-feira (14/6) confirma isso. Consta das reformas a volta da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), cuja reimplantação ficará a cargo do sociólogo Juca Ferreira. Sendo quem é, ele certamente enfrentará pouca resistência daqueles que são contra a ideia.

A ironia é que a SMC foi criada em 1989, na administração de Eduardo Azeredo, e sua substituição pela FMC se deu em 2005, justo na gestão do prefeito Pimentel. Em seu segundo mandato, Márcio Lacerda prometeu, mas a volta da secretaria se dará mesmo pelas mãos de Kalil.

Mais força política

Mas qual seria a diferença entre uma fundação e uma secretaria? Para começo de conversa, existem leis que impedem uma secretaria de gastar recursos fora do orçamento, o que a deixa engessada do ponto de vista burocrático. Contudo, por estar ligada à administração direta, sua força política lhe permite independência – principalmente para implantar políticas públicas.

Uma fundação não tem esse mesmo poder, mas, pelo menos em tese, desfruta de maior agilidade na obtenção de recursos financeiros e humanos. Justamente por fazer parte da administração indireta, ela pode angariar patrocínios e apoios da iniciativa privada. Na prática, no entanto, isso nunca ocorreu no caso da FMC, que sempre dependeu de verbas oficiais para sobreviver e tocar projetos.

Há também que se observar que a ação política de uma fundação municipal depende diretamente da boa vontade do prefeito. Apenas com a FMC, o setor cultural se arriscava a ficar à deriva em algum momento. Todos sabem que os políticos, na sua maioria, não têm interesse pela cultura, confundindo-a com mero entretenimento sem maior importância no contexto social.

A princípio, a volta da SMC não ameaça a FMC, que se tornará seu braço operacional. Com a reimplantação, a atividade cultural belo-horizontina deverá ganhar mais status e força política. Resta saber se haverá recursos para o setor, já que a situação econômica do município se agravou muito com a crise nacional. Por outro lado, se a FMC continuar dependendo exclusivamente de verbas oficiais, cedo ou tarde poderá ser extinta.

Jorge Fernando dos Santos
Jornalista, escritor, compositor, tem 43 livros publicados. Entre eles Palmeira Seca (Atual Editora), Prêmio Guimarães Rosa em 1989; ABC da MPB (Paulus), selo altamente recomendável da FNLIJ em 2003; Alguém tem que ficar no gol (Edições SM), finalista do Prêmio Jabuti em 2014; Vandré - o homem que disse não (Geração Editorial), finalista do Prêmio da APCA em 2015.
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