13 Jul 2017 | domtotal.com

O trânsito revela quem somos

Só os infratores reclamam!

Os mais estressados pensam que buzina tem poderes mágicos.
Os mais estressados pensam que buzina tem poderes mágicos. (Patrícia Almada /DomTotal)

Por Jorge Fernando dos Santos

Já foi dito que para conhecer um povo basta observá-lo no trânsito. Toda vez que a BHTRANS anuncia a instalação de aparelhos de controle do tráfego, a grita é quase geral. Muita gente recorre às redes sociais, indignada, reclamando e alertando amigos para tal “absurdo”.

Ora, ora, ora! Não podemos ignorar o fato de que boa parte dos nossos motoristas não dá a mínima para as leis de trânsito. Basta observar: gente sem cinto de segurança ou falando ao celular, criança no banco da frente, paradas em fila dupla, estacionamento em local proibido, desrespeito à faixa de pedestres, avanço de sinais. Sem falar nos alcoolizados!

Ultrapassagem pela direita já virou costume, principalmente entre os motoqueiros desesperados. Uso de setas, nem pensar! A maioria dos condutores pensa que essas lampadinhas coloridas estão no veículo apenas como enfeites. 

E tem muita gente que senta no rabo pra reclamar do outro. Basta alguém cometer uma distração, para ser xingado aos quatro ventos. Enquanto alguns jogam lixo pela janela, outros não respeitam os passeios públicos. Ora estacionam na calçada, ora entram ou saem da garagem desatentos a quem passa.

Falta cavalheirismo

Os mais estressados pensam que buzina tem poderes mágicos. Basta o sinal abrir que logo iniciam o buzinaço. Outra prova de impaciência e falta de cavalheirismo são os comentários machistas. Já foi comprovado que a maioria das mulheres é mais cautelosa que os homens ao volante. No entanto, aquela que comete algum erro é logo mandada pro fogão.

E aí vale perguntar: com tanto desrespeito às leis e ao bom senso, por que será que ainda tem gente reclamando de radares e câmeras de segurança? Claro que há pedestres, ciclistas e carroceiros cometendo infrações, mas em vez de reivindicar a fiscalização dos mesmos, os motoristas querem ter privilégios.

Além da turma que põe em risco a vida alheia, tem aqueles que transitam com escapamento aberto ou sem filtro no cano de descarga, poluindo a atmosfera. Esta prática é mais comum entre caminhoneiros e motoristas de ônibus, que parecem gozar de privilégios – como sair da pista da direita de supetão, muitas vezes sem dar seta.

A BHTRANS deixa a desejar em vários quesitos, é fato. Em muitos lugares, a sinalização é péssima, faltam faixas e sinais de pedestres. Em outros casos, a entidade parece mais interessada em multar do que em orientar o trânsito. No entanto, isso não nos dá o direito de criticá-la quando tenta trabalhar corretamente. Só os infratores reclamam!

Jorge Fernando dos Santos
Jornalista, escritor, compositor, tem 43 livros publicados. Entre eles Palmeira Seca (Atual Editora), Prêmio Guimarães Rosa em 1989; ABC da MPB (Paulus), selo altamente recomendável da FNLIJ em 2003; Alguém tem que ficar no gol (Edições SM), finalista do Prêmio Jabuti em 2014; Vandré - o homem que disse não (Geração Editorial), finalista do Prêmio da APCA em 2015.
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