14 Jul 2017 | domtotal.com

A história se repete, agora como farsa


Por Marcel Farah

O roteiro é seguido à risca.

A sincronicidade dos acontecimentos continua estupendamente rigorosa, assim como a previsibilidade dos papeis.

Logo em seguida à aprovação da reforma trabalhista pelo Congresso Nacional, o juiz federal Sérgio Moro prolata sua sentença em relação ao processo contra Lula condenando-o a 9 anos e meio de prisão.

Um Congresso de patrões aprova uma reforma contra os direitos dos e das trabalhadoras e o ex-presidente Lula, que visivelmente não tem o patrimônio dos até então acusados de corrupção (vide carros de Collor, contas na Suíça de Cunha, apartamentos em bairros nobres de Aécio e FHC etc), é condenado por possuir um apartamento que não é seu, e que nunca usou.

Enquanto isso Michel Temer repete o equilibrismo político dos hipócritas da aristocracia brasileira, se esguia da renúncia, ganha tempo, negocia cargos, contra-ataca com as armas, nada republicanas, que possui, faz “manobras espúrias” para se safar no Congresso.

A normalidade do “tudo acaba em pizza” voltou! Na realidade ela nunca acabou! A Lava-jato não mudou nada! A ação penal 470, o suposto “mensalão” não mudou nada!

Demóstenes Torres foi inocentado das denúncias que contra ele pesavam pela Justiça Goiana. Aécio, gravado pedindo dinheiro e ameaçando matar quem o delatasse, foi readmitido pelo Ministro Marco Aurélio, do STF, no Senado. Rocha Loures foi solto exatamente quando ameaçou delatar entre outros Michel Temer. A esposa de Cunha foi inocentada por falta de provas pelo juiz federal Sérgio Moro que mantém os processos contra Marisa Letícia, a já falecida mulher de Lula.

A Globo iniciou de imediato a pressão sobre o Tribunal Regional da 4ª Região, para onde vão os recursos contra decisões do juiz Sérgio Moro, expondo seus desembargadores (os juízes que julgarão o caso) e mostrando como estes se tornarão os próximos “heróis” da nação nos próximos 12 meses, tempo que se espera o recurso de Lula seja julgado.

A justiça brasileira não mudou, a corrupção não acabou e o viés de classe continua.

A história se repete, agora como farsa, a farsa que nos governo e que se sustenta na força da palavra publicada, processada, votada e julgada. Viva as instituições que mantém a ordem e o progresso.

Marcel Farah
Educador Popular
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