11 Ago 2017 | domtotal.com

Por trás do ovo, o orçamento

O que não percebem é que por trás de tudo a questão é, e sempre foi, orçamentária. Para quem vai o orçamento público?

Avaliam que o governo Temer deve cair fora, mas não se mobilizam para isso, e também não entendem o porquê.
Avaliam que o governo Temer deve cair fora, mas não se mobilizam para isso, e também não entendem o porquê.

Por Marcel Farah

Boa parte da população, principalmente aquela facebookiana, entende o país como dividido, polarizado. Se colocam, ou na posição de defesa ou de enfrentamento das medidas do atual governo.

Avaliam que o governo Temer deve cair fora, mas não se mobilizam para isso, e também não entendem o porquê.

Em sua época Dilma foi alvo de ódio, que mobilizou as pessoas, pelo menos as de classe média. Agora, os paneleiros e paneleiras se escondem, ou de vergonha ou por cálculo político… Então, se não há mais mobilizações, por que a polarização continua?

A luta contra a corrupção nunca explicou nada. Quem “lutava” contra ela, desde articulistas até os movimentos pagos, agora, pós golpe, se cala frente aos movimentos obscuros do governo golpista.

Os governos do PT nunca foram lideres em corrupção, pelo contrário, a combateram da melhor forma, fortalecendo as instituições, criando regras, respeitando a presunção de inocência. O fizeram de forma insuficiente, sem fortalecer o controle popular e não conseguiram reverter a degeneração de seus mais fortes aliados – mas o fizeram.

Passado a farsa do impedimento sem crime pudemos perceber que quem segurou o PMDB nos últimos 14 anos foram, Lula, Dilma e o PT. E Dilma não usou um milímetro da máquina pública para comprar sua inocência. Foi condenada mesmo sem culpa. Uma mostra de como funciona a justiça e a política em nosso país. É assim para a maioria dos apenados, condenados por serem pobres.

Hoje, ao invés de arrependimento ou autocrítica, os coxinhas buscam a lava-jato para se apoiar, e encontram cada vez mais a parcialidade de uma operação política, cujo rabo também vai se mostrando preso.

E os movimentos pagos reclamam do financiamento público de campanha. Querem que os empresários, aqueles que os pagam e apoiaram o golpe, e que dão propina a torto e direito para que seus interesses prevaleçam, continuem comprando mandatos no mercado eleitoral que temos hoje. É cínica a argumentação de que o financiamento público joga o peso da eleição para o contribuinte, na realidade joga a decisão para a cidadania e não para o empresariado. É muito diferente.

O que não percebem é que por trás de tudo a questão é, e sempre foi, orçamentária. Para quem vai o orçamento público?

A polarização existe entre quem defende que o orçamento sirva à maioria e quem defende que sirva a quem manda na classe política, o empresariado, a elite, os ricos, a classe burguesa, os aristocratas, os patrões, ou o que mais queiram chamar este segmento privilegiado que manda no país há tanto tempo.

Isso fica muito nítido com os gastos desenfreados de Temer para se safar (fala-se em até 17 bilhões de reais), e com a imediata ampliação do rombo fiscal de 139 para 159 bilhões. Entre anistia de dívidas para os setores elitistas e caloteiros da nação, passando pela liberação das emendas parlamentares sabe-se lá para que (além de garantir apoios aos atuais congressistas nas próximas eleições), até a bomba atômica, chamada PEC, que limita gastos com que importa e libera gastos com o que salva a pele dos corruptos.

A luta pelo orçamento hodierna representa o que é chamado politicamente de luta de classes. É ela, minhas amigas, que gira a roda da história. Não há polarização por outro motivo, não há saída senão a organização de trabalhadoras e trabalhadores para retomar as rédeas de nosso país. Com ovo ou sem, esta é a receita para os problemas que consideramos centrais ontem e hoje.

Marcel Farah
Educador Popular
Comentários
+ Artigos
Instituições Conveniadas