06 Set 2017 | domtotal.com

Hamlet tem coisas urgentes a dizer sobre o mundo contemporâneo


Absolutamente política, a peça não levanta bandeiras, mas as críticas ao sistema são evidentes.
Absolutamente política, a peça não levanta bandeiras, mas as críticas ao sistema são evidentes. (Reprodução)

Por Charles Mascarenhas

A tragédia Hamlet foi escrita no final do século XVI, e conta a história do príncipe da Dinamarca, Hamlet, que viu sua vida virar de ponta-cabeça, depois de seu pai morrer de forma repentina e estranha, e pelo fato de sua mãe casar-se com o irmão do falecido marido, que assume a coroa do rei.

Na busca do entendimento do mundo, de si mesmo e da descoberta da verdade sobre a morte do seu pai, Hamlet finge-se de louco, pois somente a loucura lhe permitiria ser corajoso e sincero, até consigo mesmo.

Para dar vida a este clássico da dramaturgia mundial, o Grupo carioca, Armazém Companhia de Teatro, sob direção de Paulo de Moraes, invocou Hamlet para nos dizer coisas urgentes sobre o mundo e sobre a contemporaneidade.
 
Com uma estética moderna e desafiadora, Hamlet não está representado em um homem, mas na atriz Patrícia Selonk. O cenário, muito simbólico, se parece com uma ratoeira gigante, se abrindo e fechando nos momentos exatos de capturas dos “ratos”. A música punk tocada ao vivo ensurdece, enlouquece e revela a verdade que todos querem saber.

A desordem está instaurada, o príncipe e todos estão imersos em sua loucura. O espectro do rei quer vingança de sua morte e Hamlet se torna altamente letal.

Absolutamente política, a peça não levanta bandeiras, mas as críticas ao sistema são evidentes. O que se passava em Elsinore na Dinamarca, se passa no Brasil. O caos também é aqui.

Se passaram pouco mais de quatro séculos e muitas das obras de Shakespeare continuam atuais, como se o escritor estivesse olhando para o mundo de hoje, e escrevendo sobre ele. Há sim, algo de podre que assola toda a nossa sociedade, e o odor vem principalmente de onde é estruturado o sistema político.

O clássico Hamlet é a prova de que o mal-estar não é contemporâneo, muito menos de um lugar específico. Existem problemas numa sociedade, e estes podem ser derivados da corrupção - a exemplo da citada obra de Shakespeare - Um problema que não exige sensatez e conformismo, se é que há conformidade diante de problemas como este.

A montagem de Hamlet está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil – BH até o dia 25 de setembro.

Charles Mascarenhas
Charles Mascarenhas é estudante de Comunicação Social em Cinema pela Puc-Minas, onde tem se dedicado à pesquisa sobre cinema.
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