10 Set 2017 | domtotal.com

Pelo outro ou por você?

Você deixou de conversar com fulano porque você quis ou foi praticamente algo a que seu parceiro te obrigou?

Você deixou de conversar com fulano porque você quis ou foi praticamente algo a que seu parceiro te obrigou?
Você deixou de conversar com fulano porque você quis ou foi praticamente algo a que seu parceiro te obrigou?

Por Nany Mata

"Fiz isso por você", você diz, com um sentimento sincero. Sua sensação era a de que precisava fazer algum trabalho voluntário, ajudar sua mãe ou fazer aquele favor um amigo. Não pensou duas vezes, foi lá e fez. Te perguntam se fez por você ou pelo outro. 

Parece simples , porque a gente faz mesmo as coisas pelos outros. Às vezes, a gente se desprende do desejo de ficar em casa descansando porque sente a importância de ir àquele lugar que o namorado deseja, mesmo sabendo que poderia ser na semana seguinte, mas só porque ele está empolgado hoje, talvez não na semana que vem.

Às vezes, sua participação naquela força-tarefa da ONG em que você é voluntário vai fazer a diferença para os beneficiados e, por isso, vale cancelar a cerveja com os amigos para ir até lá. Ainda que tudo você queira seja beber uma gelada e revê-los. 

Você deixou de conversar com fulano porque você quis ou foi praticamente algo a que seu parceiro te obrigou? Você fez aquele favor para sua tia porque você quis ou para, mais para frente, jogar na cara dela? Você fez porque quis fazer ou para mostrar ao mundo sobre sua generosidade? 

As linhas são tênues e difíceis de serem distinguidas, mas nada se compara à sensação de fazer porque, mesmo que exija algum sacrifício de sua parte, você desejou fazer. Nada é igual ao sorriso de quem recebe você como um voluntário. Não tem preço o sorriso de alguém que ficou surpreso porque você, apesar da rotina corrida, pôde fazer aquela visita.

Mas sabe qual o grande questionamento por trás de "por mim ou por você"? É que altruísmo e egoísmo andam lado a lado. Às vezes, altruísmo pode ser mais defeito que qualidade e egoísmo mais qualidade que defeito. A gente tem a missão difícil de saber identificar não apenas por quem está fazendo, mas pensar um pouco mais e fazer, o que for, porque sente-se bem e faz bem aos outros. 

Nany Mata
Jornalista, especialista em Gestão Estratégica em Comunicação, ambos pela PUC Minas. Trabalhou e é voluntária da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac), entidade sem fins lucrativos que visa a humanização no cumprimento da pena e a ressocialização de indivíduos que cometeram delitos. Como funcionária da entidade, tornou-se também voluntária e entusiasta dos Direitos Humanos. Atualmente é assessora de imprensa, tem ainda experiência como community manager, social media e reportagem.
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