27 Set 2017 | domtotal.com

As duas Irenes

Uma questão filosófica.

Uma questão filosófica.
Uma questão filosófica.

Por Charles Mascarenhas

Frequentar algumas salas de cinema da cidade está sendo cada vez mais gratificante. A quantidade de filmes nacionais que tem estreado nas últimas semanas e ganhado importantes prêmios, dentro e fora do Brasil é de “tirar o chapéu” para as nossas produções. 
Delicados, poéticos e políticos, alguns dos filmes estão ganhando os corações dos amantes do cinema nacional, como “Corpo Elétrico” de Marcelo Caetano, “Como Nossos Pais” de Laís Bodanzky e “As Duas Irenes” do diretor Fábio Meira.

Eles trazem histórias muito simples, porém carregadas de sentimentos e engajamentos, que envolvem o telespectador por completo em sua trama.

É o caso de As Duas Irenes, do diretor Fábio Meira, que estreou em fevereiro deste ano, no Festival de Berlim, e de lá para cá, ganhou importantes prêmios em festivais como o de Guadalajara, no México e o de Gramado, no Rio Grande do Sul.

A trama trata das Duas Irenes, personagens que vivem no interior de Goiás, e traz uma história curiosa, que segundo o diretor é algo muito comum no Brasil. Pais colocam o mesmo nome dos filhos da família formal na outra família paralela.

É o que acontece com Irene, uma menina de 13 anos, de uma família tradicional, que descobre que seu pai tem uma filha de outra mulher, com a mesma idade e o mesmo nome dela.

A premissa é muito interessante e o filme se desenvolve a partir das inquietações de Irene (Priscila Bittencourt) acerca de sua irmã recém-descoberta, Irene (Isabela Torres).

As meninas têm estilos de vida diferentes, enquanto a da família formal possui muito mais recursos financeiros, pais mais presentes na formação dos filhos, a segunda vive numa casa muito simples, com a mãe Neuza (Inês Peixoto), costureira, que trabalha arduamente para criar a filha praticamente sozinha.

Apesar dessas diferenças entre elas, a “primeira” Irene se vê ameaçada diante daquela nova situação. Afinal, é mais uma irmã para disputar a atenção do pai (Marco Ricca).

A história poderia ir para um lado mais clichê, ao que se parece no início, e retratar uma possível disputa entre as irmãs. Fábio Meira, diretor e roteirista dá, um toque de feminilidade e delicadeza ao seu primeiro longa. Ele Transforma as duas Irenes em uma reflexão filosófica.

Elas se vêem diante do espelho e descobrem o quanto são opostas, e proporcionalmente parecidas. Juntas percebem que se completam. As duas Irenes embarcam em si mesmas, desvendando segredos do corpo, da sexualidade, da individualidade e da parceria.

Não basta as duas Irenes tentarem descobrir uma à outra, o diretor convida o público a questionar-se sobre isso. Ao final de uma sessão, em que esteve presente no Cine Cento e Quatro, em Belo Horizonte - MG, Fabio Meira retomou a metáfora do espelho no longa e distribuiu pequenos espelhos, levando os espectadores a pensarem no Antigo aforismo grego “Conhece-te a ti mesmo”.

Clique abaixo e confira o trailer:

Charles Mascarenhas
Charles Mascarenhas é estudante de Comunicação Social em Cinema pela Puc-Minas, onde tem se dedicado à pesquisa sobre cinema.
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