10 Nov 2017 | domtotal.com

A hipocrisia do conservadorismo

Aborto é uma realidade, 25% das mulheres aos 40 anos já fez pelo menos um aborto.

A defesa da vida feita pelos conservadores (neste caso marcadamente religioso) é seletiva. A vida das mulheres não é respeitada
A defesa da vida feita pelos conservadores (neste caso marcadamente religioso) é seletiva. A vida das mulheres não é respeitada (Reprodução)

Por Marcel Farah

Vivemos uma crise cuja principal ameaça é permitir o crescimento do conservadorismo, baseado principalmente na desinformação, mesmo que curiosamente, tenhamos hoje muito mais rápido e fácil acesso à informação do que em outros tempos.

Dia 08 de novembro de 2016 uma comissão criada na Câmara dos Deputados para discutir um projeto de emenda à Constituição que pretendia, pelo menos à primeira vista, ampliar direitos trabalhista, aprova uma modificação que permite a criminalização do aborto em todas circunstâncias, até mesmo em casos de estupro.

Em clara reação à decisão da Primeira Turma do STF, de 29 de novembro de 2016, que descriminaliza o aborto até o terceiro mês de gravidez [1].

A referida modificação à Constituição, provêm de uma proposta de Aécio Neves e é considerada pela atual oposição ao governo (leia-se a esquerda no parlamento e alguns democratas), e por militantes dos direitos das mulheres como um “Cavalo de Troia” [2]. Afinal, uma proposta que visava ampliar a licença maternidade para mulheres com filhos prematuros tornou-se possibilidade de impedir que as mulheres tenham controle de seu próprio corpo, inclusive, repetindo, em casos de estupro.

Aborto é uma realidade, 25% das mulheres aos 40 anos já fez pelo menos um aborto, segundo pesquisa do Instituto Anis. Cerca de 1 milhão de procedimentos ilegais e inseguros são realizados por ano no Brasil, colocando a vida das mulheres em risco, já que pelo menos uma morre a cada dois dias por complicações de aborto ilegal [3].

A defesa da vida feita pelos conservadores (neste caso marcadamente religioso) é seletiva. A vida das mulheres não é respeitada. Não basta o Brasil ser o 5º país com mais feminicídios no mundo, com 4,8 mulheres mortas por cada 100 mil habitantes, a bancada religiosa quer mais.

Ou menos vida?


[1] Informações em http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-11/turma-do-stf-decide-que-aborto-nos-tres-primeiros-meses-de-gravidez-nao-e

[2] No mesmo sentido https://www.cartacapital.com.br/politica/comissao-aprova-projeto-que-restringe-aborto-ate-em-caso-de-estupro

[3] Idem.

Marcel Farah
Educador Popular
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