02 Jan 2018 | domtotal.com

As festas passaram

Existem níveis de relações.

Oscilamos entre a necessidade de estar juntos e sozinhos.
Oscilamos entre a necessidade de estar juntos e sozinhos. (Reprodução/ corridainsana.com.br)

Por Gilmar Pereira

Não sei vocês, mas não senti esse fim de ano com tanta festa e comilança como em outros. Houve épocas que tive confraternização da faculdade, da Igreja, do grupo do trabalho, da família, dos amigos mais próximos, etc. De fato, fazer dieta nessa época era um suplício porque a concentração de celebrações era muito grande. Hoje, entretanto, parece que tal dificuldade diminuiu.

Talvez meus grupos de relacionamento tenham mudado bastante – o que de fato ocorreu – ou eu mesmo tenha mudado – e isso também é verdade –, mas acredito que não estou isolado nessa experiência. Será que a vontade de encontrar, de estar junto das pessoas anda diminuindo? Bem, o famigerado amigo-oculto já é esquivável. Muita gente já consegue dizer ‘não’ com tranquilidade sem ser tido como um anti-social. De minha parte, gosto. Creio que é sempre uma oportunidade para se colocar no lugar do outro, parar um pouco para entender seus gostos e universo com o intuito de lhe dar algo que agrade ou mesmo para buscar suas qualidades de modo que possa ser descrito no jogo de adivinhação antes da entrega do presente – “Meu amigo secreto é alguém muito atencioso”. Mas disso eu falei na Rádio Itatiaia no domingo de Natal (escuta o programa aqui).

De qualquer forma, talvez estejamos um tanto cansados e encontrar já não seja tão prazeroso. Uma das causas possíveis talvez seja o grande número de encontros superficiais ou demasiado constantes. Note, por exemplo, que após a popularização de aplicativos como WhatsApp e das redes sociais você não tem tempo de estar ausente às pessoas. Há algumas que a falta nem é mais sentida, já que suas notícias não param de chegar. São tantas notificações sobre elas que a vontade de visitá-las nem surge. Ao contrário, já se encheu de sua presença [ausente]. E assim vão se seguindo dias e meses de contatos que carecem de maior profundidade e que, por sua vez, dependem de um tempo qualitativo para ganharem densidade.

Existem níveis de relações. Um autor, John Powell, fala de cinco no seu livro “Por que tenho medo de lhe dizer que sou?”. No primeiro você pode ter um contato fático com quem lhe cerca, baseado em “Bom dia!”, “Boa tarde!”, “E o seu time?”, “Você viu a novela?”. No segundo nível fala-se de coisas e pessoas. No terceiro, de ideias. O quarto nível tem como pauta os sentimentos e, por ele, chega-se ao quinto, no qual se vive certa unidade com quem se relaciona, onde até o silêncio é comunicativo. Falar de sentimentos não é simplesmente dizer estou triste ou feliz com isso ou aquilo, mas aprofundar sobre o que foi sentido. Dizer a alguém que me sinto como uma criança quando sou corrigido de modo duro publicamente tem mais densidade do que expressar “não gostei do jeito com que você me corrigiu”, que é um modo de falar dos sentimentos num nível mais raso, como se fosse uma ideia ou impressão sobre o mundo. Uma relação profunda se dá na entrega dos afetos; as superficiais, geralmente, negligenciamos.

Carregamos o paradoxo de querer e buscar encontros. Isso porque desejamos encontrar e ser encontrados, temos a necessidade de pertença. Daí ficamos na dinâmica de fugir e ir atrás das pessoas. Levante a mão quem nunca evitou o melhor amigo! Oscilamos entre a necessidade de estar juntos e sozinhos. Esse é outro ponto importante de nosso dinamismo humano. Ir ao encontro dos outros, vincular-se, demanda certa saída de si e renúncia que podem ser cansativas, desgastantes ou até mesmo despersonalizadoras, se exageradas. Ao mesmo tempo, como seres relacionais que somos, ao nos tirar de nosso autocentramento, o encontro com o outro pode também nos humanizar. Estar presente ao outro sempre exige algo de nós, o que nos cansa, mas também nos enche de algo que, às vezes, nem sabemos mensurar. Assim, apesar dos desgastes, buscamos outros encontros para nos preenchermos da presença alheia.

Passado o Natal, com a celebração dos afetos familiares, bem como o réveillon, e seu extravasamento das tensões vividas ao longo do ano, ficamos com o desejo de recomeçar melhor e com a angústia pelo que virá. Talvez a melhor maneira seja intensificar nossos encontros, não simplesmente pela euforia de festas, mas na qualidade do dar-se ao outro. Quem sabe assim cada encontro não se torna festivo?

Corrida Insana

Já que as amizades exigem tempo e que este seja gastado qualitativamente, que tal um evento no qual os limites de cada um possam ser testados e o apoio do outro possa ser fortaleza? Isso pode acontecer de maneira divertida na Corrida Insana.

No dia 26 de maio, o Mineirão é a casa da Insane Inflatable 5k – A Corrida Insana, um evento famoso no mundo todo. A diversão dos insanos de BH fica garantida pelos 12 obstáculos gigantes e infláveis ao longo do trajeto de 5km da competiçõa. Entre eles está o Waverunner, uma pista cheia de elevações e lombadas para dificultar a travessia. Também tem o Campo Minado cheio de buracos e o Big Balls, que está sempre ocupado por bolas gigantes quicando para todo lado. Um dos maiores obstáculos é o No Sufoco. Ao estilo dos testes de treinamentos militares, é uma pista gigante de 30m de comprimento que vai testar suas habilidades. Além dos novatos Ball Maze e Tangled Up.

Para participar da Corrida Insana, não tem idade, só preparo físico e animação. Os competidores também devem ter, no mínimo, 1,05m de altura. Não existe um limite de tempo para completar o percurso e se não conseguir passar por qualquer um dos obstáculos, é só pular para o próximo.

Ingressos de pré-venda a partir de R$ 69. Para garantir sua cortesia, conferir os obstáculos e saber mais sobre o evento, acesse o site oficial.

Gilmar Pereira
Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, graduado em Filosofia pelo CES-JF e em Teologia pela FAJE. Apaixonado por arte, cultura, filosofia, religião, psicologia, comunicação, ciências sociais... enfim, um "cara de humanas". Escreve às sextas-feiras.
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