08 Fev 2018 | domtotal.com

Censura preta e branca 


Por Rômulo Ávila

Fui setorista do Atlético pelo extinto Jornal Diário Tarde por anos. Vi muita coisa no clube, ruins, boas, dentro e fora do campo. Mas censura é a primeira vez. Sem tomar partido de A ou B, vejo a confusão envolvendo o técnico Oswaldo de Oliveira e o repórter Léo Gomide (Rádio Inconfidência) totalmente desnecessária.  O treinador atleticano mostrou completo descontrole emocional ao apelar por um questionamento normal do repórter após o empate de 1 a 1 com Atlético acreano. Depois, alegando ter sido xingado pelo jornalista, Oswaldo partiu para agressão verbal e física (assista ao vídeo no fim do artigo). Se tinha razão, perdeu ao não se controlar.

Uma reação inconsequente que repercute em todo Brasil e expõe negativamente o nome do clube. No entanto, pior do que a atitude do treinador foi o comportamento do diretor de comunicação do Atlético, Domênico Bhering.  Ao segurar Oswaldo para evitar uma possível agressão, Domênico reforçou os xingamentos do treinador contra o jornalista: ‘ele é babaca mesmo’. Se um profissional da comunicação, pago para manter o bom relacionamento da imprensa com o clube, tem tal atitude, o que esperar de um técnico decadente?

Não conheço o Léo Gomide pessoalmente. Mas sei que ele é um jornalista que vira e mexe faz perguntas que os entrevistados não gostam. Além disso, não aceita respostas rasas. Ontem foi assim. O time do Atlético fez um jogo horrível, por sorte não foi eliminado pelo xará do Acre, mas Oswaldo de Oliveira preferiu fazer uma análise fantasiosa, de uma partida que só ele parece ter visto. Foi questionado, não gostou e apelou.

Nesta quinta-feira, após repercussão do caso, o treinador reconheceu o erro e pediu desculpas. Poderia ter terminado por aí. No entanto, o Atlético piorou o que já estava ruim ao anunciar que Leó Gomide está proibido de ir à Cidade do Galo para trabalhar. É a censura preta e branca em pleno 2018, numa posição que vai contra a história do clube e fere a liberdade de expressão. 

O Atlético 2018 começa da pior maneira possível, dentro e fora de campo. Uma pena, porque o clube é muito maior do que seus funcionários. Pode ser que em breve Oswaldo de Oliveira seja demitido, mas a imagem de clube censurador ficará. Só o Atlético perdeu nesse lamentável episódio. Como bem lembrou um torcedor nas redes sociais, 'em casa que falta pão, ninguém tem razão'.

Veja como foi a confusão:


 

A censura atleticana:

Rômulo Ávila
É jornalista formado pela Newton Paiva. Foi repórter esportivo durante dois anos do extinto Diário da Tarde (tradicional periódico de BH fechado pelos Associados Minas em julho de 2007). Atualmente é repórter do Portal DomTotal. Antes de cursar comunicação, foi jogador de futebol profissional. Começou no Villa Nova-MG e passou pelo futebol paulista e nordestino.
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