05 Mar 2018 | domtotal.com

O Cruzeiro dá choque de realidade no Atlético 


Raniel substituiu muito bem o atacante Fred ao fazer o gol da vitória.
Raniel substituiu muito bem o atacante Fred ao fazer o gol da vitória. (TELMO FERREIRA / Gazeta Press)

Por Juliano Paiva

É bem verdade que o Cruzeiro não foi tão bem quanto muitos imaginavam. E, em contrapartida, o Atlético não foi tão mal. Porém, ficou evidente a incapacidade do Alvinegro de furar retrancas. Faltam jogadas variadas, criatividade, um 10. O repertório é sempre o mesmo e isso foi escancarado no clássico. O time azul se fechou após a expulsão de Edílson e, pacientemente, “sofreu”, passando por pouquíssimos riscos.   

O Cruzeiro, com isso, deu um choque de realidade no Atlético. O Galo, com o elenco atual e sem um técnico, não vai longe na temporada. No Campeonato Brasileiro vai enfrentar outros times do nível celeste. E eis a grande preocupação. Se o Atlético está tendo sérias dificuldades no Estadual, imagine no Brasileirão? Na Copa do Brasil? Na Copa Sul-Americana?

O time atleticano não encaixou, não encaixa. E tem enormes dificuldades para chegar com qualidade ao gol adversário. A realidade é essa! Num exercício de futurologia, bancando o Nostradamus mesmo, já imaginaram se na Copa do Brasil o Figueirense sai na frente do Atlético em pleno Independência? E, pior, tem um jogador expulso. Será um “deus no acuda” no time e torcida atleticanos. 

Quanto a Thiago Larghi, ao mesmo tempo que mostra ter potencial, fica claro a sua falta de “embocadura”, de “maldade” mesmo. O próprio presidente do Atlético, Sette Câmara, falou sobre isso. Entre outros problemas, Larghi tem errado ao insistir com Erik no meio. Erik tem que jogar na esquerda, onde rende mais. 

Especificamente no clássico, o técnico interino errou nas substituições. Edílson foi expulso aos seis minutos do segundo tempo. O técnico interino atleticano só fez a primeira substituição aos 13, colocando Cazares no lugar de Róger Guedes. Depois, aos 20 minutos, Erik deu lugar a Tomás Andrade. 

Entraram em campo jogadores técnicos, que cadenciam o jogo.  Naquele momento da expulsão no Cruzeiro, o Atlético pedia – imediatamente – um atleta com outra característica, alguém que fosse para cima, vibrante, “doido”. No elenco atleticano, esse jogador é Luan, mas ele só entrou aos 34 minutos do segundo tempo quando o Cruzeiro já tinha se arrumado e neutralizava com facilidade as investidas atleticanas. 

Outro detalhe que incomoda é o fato de os jogadores das categorias de base entrarem pouco. Sangue novo no clássico, que eles conhecem desde crianças, poderia ter ajudado. Marco Túlio estava no banco, mas Bruno Roberto nem isso, sequer foi relacionado.  

O Atlético dá indícios de que, do jeito como está, será no máximo um time esforçado, dedicado. Dificilmente essas características levarão a algo grande em 2018. É necessário algo mais. Sette Câmara deve estar quebrando a cabeça. 

Juliano Paiva
é jornalista formado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente editor do Dom Total, Paiva trabalhou nos jornais O Tempo, Hoje em Dia e no extinto Diário da Tarde, tradicional periódico de Belo horizonte fechado pelos Associados Minas em julho de 2007. No DT, começou como repórter da editoria Cidades, mas, na época do fechamento do jornal, fazia cobertura esportiva. Também foi responsável pela cobertura de jogos do Campeonato Brasileiro para a Folha de São Paulo no segundo semestre de 2007.
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