13 Mar 2018 | domtotal.com

Atlético precisa de mais Alerrandros e menos Gallos


Alexandre Gallo e Alerrandro são personagens deste momento de transição do Atlético.
Alexandre Gallo e Alerrandro são personagens deste momento de transição do Atlético. (Bruno Cantini/CAM / Twitter @guifrossard)

Por Juliano Paiva

O garoto Alerrandro, da base do Atlético, de apenas 18 anos, estreou como titular do time profissional no domingo contra a Tombense, no Independência. O lugar é familiar a ele. Nas outras passagens pelo Horto, ele estava na arquibancada, nas cadeiras. De lá, se emocionava com o Galo, vibrava pelo Galo. 

Agora como profissional ele o faz no gramado. A emoção realmente esteve à flor da pele do rapaz no domingo passado. Era visível o nervosismo do garoto, tanto que sua qualidade técnica pouco apareceu, diferente do que era comum na base. 

Alerrandro chegou a vomitar depois de uma disputa de bola com o adversário. Minutos depois viu que seria substituído e praticamente suplicou: “Thiago, não!” Não teve jeito, Larghi o tirou de campo por precaução.

Esse sentimento de Alerrandro é exemplo para os demais garotos da base, mas em especial para os veteranos, que vieram de fora, que chegaram agora ao clube.  

O Galo precisa ser Galo. Vibrante, forte, vingador! Em especial neste momento de transição do elenco. É preciso mais sentimento, mais emoção. Está tudo muito protocolar, em campo e fora dele. As repostas decoradas nas coletivas e, principalmente, nos pós-jogos irritam os torcedores. Está tudo muito chato! 

Alerrandro quer jogo! E pelo que podemos perceber, Bruno Roberto, Marco Túlio e Marquinhos, outros meninos da base, também.  

Então é preciso dar oportunidade a eles. Nem sempre irão bem como diante da Tombense. Com o tempo, se acostumarão com o ambiente, ficarão à vontade e o maior vencedor nessa história será o próprio Atlético e sua torcida, claro. 

Por outro lado, o torcedor está muito decepcionado com Alexandre Gallo. Capitão do Atlético como jogador no embate contra o Cruzeiro pelas quartas de final do Campeonato Brasileiro, em 1999, quando o Galo eliminou a Raposa com duas vitórias no Mineirão, o hoje dirigente coleciona fracassos. 

O último deles tem nome: Rithely. O volante foi para o Internacional. É bem verdade que a maior parte da torcida comemorou o não acerto por considerá-lo um jogador comum, que pouco acrescentaria e tiraria lugar de alguém da base no elenco. Mas é fato que foi mais uma derrota de Gallo. 

O diretor de futebol não conseguiu Wallace, não conseguiu Scarpa, levou um sonoro “não” de Cuca que, acredite, foi segunda opção sendo que a primeira era Abel Braga, que nunca abandonaria um trabalho na metade para assumir outro clube. Esse é o currículo de Alexandre Gallo no Clube Atlético Mineiro. 

Para tentar acalmar a torcida, ele deu uma entrevista coletiva no domingo justificando o fracasso e dizendo que o time terá três ou quatro reforços para o Brasileirão, sendo que pelo menos um “para fazer a diferença”. 

Como? Isso contradiz o discurso de austeridade do clube. O Atlético não vai conseguir um jogador que faça a diferença com custo zero, trocas ou empréstimos. 

Então, ao que parece, foi mais uma bola fora do dirigente Gallo que precisa agir mais, dar menos entrevistas e ser muito, muito, mas muito discreto mesmo nas negociações. Elas têm vazado e prejudicado o Atlético.  

Portanto, está claro, evidente, que neste momento difícil, de transição, o Atlético precisa de mais Alerrandros e menos Gallos.

Que assim seja!

Juliano Paiva
é jornalista formado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente editor do Dom Total, Paiva trabalhou nos jornais O Tempo, Hoje em Dia e no extinto Diário da Tarde, tradicional periódico de Belo horizonte fechado pelos Associados Minas em julho de 2007. No DT, começou como repórter da editoria Cidades, mas, na época do fechamento do jornal, fazia cobertura esportiva. Também foi responsável pela cobertura de jogos do Campeonato Brasileiro para a Folha de São Paulo no segundo semestre de 2007.
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