19 Mar 2018 | domtotal.com

Coletiva de Larghi escancara a falta de noção que reina no Atlético 


Larghi tentou provar com números que o Atlético não passou sufoco diante da URT.
Larghi tentou provar com números que o Atlético não passou sufoco diante da URT. (Bruno Cantini/CAM)

Por Juliano Paiva

“O futebol é emoção! Futebol não é números, futebol não é títulos. Futebol é o que, em 90 minutos, desperta nas pessoas que assistem à partida”. As palavras não são minhas, mas de Pep Guardiola, técnico do Manchester City e que marcou época no comando do Bayen de Munique e, principalmente, do Barcelona. 

Thiago Larghi diz se inspirar no treinador espanhol e, inclusive, fez estágio com ele na época de Bayern. Porém, estranhamente, o interino do Galo contradisse seu modelo de técnico na coletiva após a vitória suada sobre a URT. 

Larghi tentou convencer a todos presentes na entrevista, e à torcida que o ouvia atentamente via tv, rádio ou internet, que o Atlético não passou sufoco contra o time de Patos de Minas. Para tanto, usou estatísticas da partida e o maior volume de jogo do Alvinegro. 

“Discordo de que foi um sufoco. Foram 68% de posse de bola do Atlético a 32% da URT; 26 finalizações a 12. Se foi sufoco para a gente, imagina para a URT?”, indagou Larghi.   

Agora, parafraseando Guardiola, pergunto eu. O que o futebol do Atlético e a coletiva de Larghi despertam no torcedor atleticano? Desconfiança, frustação, raiva, medo! Isso para ficarmos em apenas quatro palavras.  

Thiago Largui, de maneira surpreendente, viu uma outra partida no Independência no domingo. E, lamentavelmente, tentou justificar um bom futebol do Galo, que só ele viu, com números. 

Larghi não deve ter visto a bola na trave da URT, as defesas de Victor, os passes errados do seu time e a angústia da torcida nas cadeiras do estádio. A URT precisava de apenas uma bola e, por muito pouco, não a conseguiu. 

Isso é futebol! É assim que funciona desde sempre. Bastaria uma bola certa da URT, que felizmente para Larghi não veio, para que a decisão da vaga fosse para os pênaltis. De que valeria a bela estatística do interino atleticano se a equipe de Patos ganhasse nas penalidades? 

Thiago Larghi é provavelmente o menos culpado pela draga atual do time, que “vence e não convence” e ”passa sufoco” contra times pequenos, como diz a torcida. Mas a coletiva dele escancara a falta de noção que reina no Atlético hoje. 

A situação me lembrou uma fala de Alexandre Gallo em uma de suas primeiras entrevistas no clube: "O Arouca é uma realidade nossa já”. O diretor de futebol falou como se o Messi estivesse chegando ao Atlético ou, para ficar na mesma posição, Toni Kroos ou Luka Modrić. Mas todos sabem que nem o Walace, que estava encostado no Hamburgo, Gallo conseguiu contratar. 

Com todo o respeito que o Arouca merece, seu nível técnico atual está bem distante dos jogadores citados. No ano passado, ele, que é a realidade do Atlético segundo Gallo, atuou somente nove minutos.  

Pois bem, eis o Atlético de hoje. O Galo de Gallo e Sette Câmara que terá pela frente o tradicional América-MG na semifinal do Campeonato Mineiro, o Ferroviário na Copa do Brasil e o poderoso San Lorenzo na Copa Sul-Americana. 

E também todo um Campeonato Brasileiro pela frente do qual a torcida, a essa altura, só espera ansiosamente os 45 pontos que garantam o time na Série A em 2019.  

Juliano Paiva
é jornalista formado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente editor do Dom Total, Paiva trabalhou nos jornais O Tempo, Hoje em Dia e no extinto Diário da Tarde, tradicional periódico de Belo horizonte fechado pelos Associados Minas em julho de 2007. No DT, começou como repórter da editoria Cidades, mas, na época do fechamento do jornal, fazia cobertura esportiva. Também foi responsável pela cobertura de jogos do Campeonato Brasileiro para a Folha de São Paulo no segundo semestre de 2007.
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