05 Abr 2018 | domtotal.com

As sete pragas do Brasil

Nem mesmo a mãe natureza parece interessada em nos poupar de sofrimentos e aflições.

O país foi saqueado e está sem recursos para resolver os problemas nacionais.
O país foi saqueado e está sem recursos para resolver os problemas nacionais. (Montagem: AFP, reprodução e Agência Brasil)

Por Jorge Fernando dos Santos

Na última segunda-feira, a terra tremeu em Brasília e em outras localidades do país, inclusive Belo Horizonte. Segundo especialistas, a ocorrência se deu em função de um abalo sísmico na Bolívia.

Isso me faz lembrar aquela piada segundo a qual, após criar o mundo, Deus foi interpelado pelos anjos sobre o fato de ter feito o Brasil sem terremotos, maremotos, furacões, vulcões e outros desastres naturais.

A resposta do Criador teria sido na lata: “não viram ainda o povinho que vou colocar nesse país”. De algumas décadas para cá, temos sofrido com secas prolongadas, chuvas torrenciais, tufões nos estados do Sul e agora um tremor de terra. Ou seja, os anjos não têm mais do que reclamar.

A ironia é que o abalo, que levou os bombeiros a evacuar prédios no Distrito Federal, São Paulo e BH, ocorreu na semana mais turbulenta do ano, no âmbito político. Além do tão aguardado julgamento de Lula pelo STF, estamos assistindo a mais uma reforma ministerial feita pelo presidente Temer, na tentativa de remendar alianças e se manter no poder.

Coxinhas e mortadelas

Se fosse pessimista, eu diria que estamos enfrentando a sete pragas do Egito. Nem mesmo a mãe natureza parece interessada em nos poupar de sofrimentos e aflições. Até porque, da maneira que a tratamos, não podemos reclamar das mudanças climáticas.

A Amazônia continua sendo desmatada por madeireiras, mineradoras e criadores de gado. O cerrado e o pantanal perdem espaço diariamente para o agronegócio e plantações de eucalipto. Os rios estão cada vez mais poluídos e abandonados à própria sorte. Enfim, o Brasil lida com a natureza com o mesmo desleixo que seus políticos tratam a coisa pública.

O país foi saqueado e está sem recursos para resolver os problemas nacionais – haja vista a situação do Rio de Janeiro. Mesmo quebrados, os estados continuam enviando parte de suas receitas para a União. Esta se mostra cada vez mais dilapidada pela incompetência e corrupção de seus mandatários. Ou seja: a República naufraga no mar de lama.

O povo, por seu lado, está dividido em facções e o crime cresce a cada dia. Enquanto coxinhas e mortadelas se digladiam, os políticos se empanturram de caviar e champanha, pagos com o dinheiro dos nossos impostos. Oxalá a operação Lava-Jato não seja sepultada de vez pelos criminosos de plantão. Afinal, ela é a nossa última esperança – ainda que tardia.

Jorge Fernando dos Santos
Jornalista, escritor, compositor, tem 44 livros publicados. Entre eles Palmeira Seca (Ed. Atual), Prêmio Guimarães Rosa em 1989; ABC da MPB (Paulus), selo altamente recomendável da FNLIJ em 2003; Alguém tem que ficar no gol (SM), finalista do Prêmio Jabuti em 2014; Vandré - o homem que disse não (Geração), finalista do Prêmio da APCA em 2015; e A Turma da Savassi (Quixote).
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