12 Abr 2018 | domtotal.com

Fascistas são os outros

É público e notório que boa parte da esquerda trata os adversários como inimigos e se faz de vítima quando se vê confrontada.

O PT e suas franquias ideológicas clamam pela punição de corruptos, mas não toleram o fato de seu ídolo maior ter sido condenado.
O PT e suas franquias ideológicas clamam pela punição de corruptos, mas não toleram o fato de seu ídolo maior ter sido condenado. (Agência Brasil)

Por Jorge Fernando dos Santos

Não escrevo o presente artigo para convencer ou provocar a quem quer que seja. Quero apenas refletir sobre os últimos acontecimentos, exercendo meus direitos constitucionais de cidadão brasileiro. Portanto, poupem-me das agressões, caso não concordem comigo.

É público e notório que boa parte da esquerda trata os adversários como inimigos e se faz de vítima quando se vê confrontada. Nas manifestações contra a prisão de Lula ocorridas no último final de semana, foram os seguranças do senador petista Lindbergh Faria que atacaram covardemente um empresário – que sofreu traumatismo craniano.

Enquanto isso, em Belo Horizonte, membros do MST jogaram tinta vermelha no edifício onde fica o apartamento da presidente do STF, ministra Cármen Lúcia. O motivo teria sido o voto de desempate contra o Habeas Corpus de Lula e a favor da prisão em segunda instância. Na manhã dessa quarta-feira, sitiaram a cidade com pneus queimados.

Lembro-me do tempo em que o Comando de Caça aos Comunistas (CCC) espancava atores, explodia bancas de revistas e pichava a fachada do Sindicato dos jornalistas, visando intimidar os inimigos da ditadura. Dessa vez, no circo armado em São Bernardo do Campo, foram manifestantes de esquerda que agrediram repórteres e cinegrafistas.

Carros de reportagens foram depredados e seus ocupantes, acusados de serem da “mídia golpista”. Curiosamente, graças ao desempenho desses profissionais, a Globo News e sua concorrente Bandnews dedicaram dois dias de programação à cobertura direta do happening lulista, prestando à esquerda um serviço de marketing jamais sonhado por Joseph Goebells.

Garantia vergonhosa

Esquerdistas radicais chamam de fascista todo aquele que argumenta contra suas ideias. Raramente toleram o contraditório e agora partem para a agressão física, atacando adversários e rasgando bandeiras do Brasil. Agem como os homens das SA de Hitler – tropas de brutamontes que intimidavam judeus e outros opositores do Reich com extrema violência.

O PT e suas franquias ideológicas clamam pela punição de corruptos, mas não toleram o fato de seu ídolo maior ter sido condenado por encabeçar um dos maiores esquemas de corrupção da história. Alegam perseguição, ignorando a prisão de empresários e políticos de outros partidos graças às investigações da Operação Lava-Jato.

Essas mesmas pessoas reclamam do fato de Temer, Serra, Aécio, Calheiros, Jucá, Sarney e outros não estarem sendo julgados ou presos. Elas fingem ignorar que esses senhores (alguns deles antigos aliados) gozam de imunidade, essa vergonhosa garantia constitucional da qual se beneficiam aqueles que exercem cargos eletivos no país.

Provavelmente muitos já se esqueceram da gravação telefônica na qual o próprio Lula tramava com a ex-presidente Dilma sua nomeação para o posto de ministro da Casa Civil – numa tentativa desesperada de garantir para si o foro privilegiado. Seria esse o motivo de a esquerda não engrossar o coro contra o fim desse tipo de regalia?

Em recente discurso, Lula bradou que não é mais um homem, mas “uma ideia”. Ideia perigosa, diga-se de passagem, pelo teor agressivo de sua prosódia e por atiçar o ódio em seus seguidores. Se em vez de colocá-los na linha de fogo ele tivesse reconhecido os próprios erros, teria demonstrado a dignidade e a grandeza de espírito de homens como Gandhi e Luther King.

A não ser pelos adeptos, sua presunção de inocência não convence a mais ninguém. Alegar perseguição das elites por ter alimentado os pobres é mudar o foco, apostando no vitimismo. Não seriam os empreiteiros integrantes dessas mesmas elites? Como diz um post no Facebook, “apoiar Lula por causa dos seus programas sociais é a mesma coisa que aceitar apanhar do marido só porque ele paga as contas”.

Jorge Fernando dos Santos
Jornalista, escritor, compositor, tem 44 livros publicados. Entre eles Palmeira Seca (Ed. Atual), Prêmio Guimarães Rosa em 1989; ABC da MPB (Paulus), selo altamente recomendável da FNLIJ em 2003; Alguém tem que ficar no gol (SM), finalista do Prêmio Jabuti em 2014; Vandré - o homem que disse não (Geração), finalista do Prêmio da APCA em 2015; e A Turma da Savassi (Quixote).
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