09 Mai 2018 | domtotal.com

Que isso, presidente?


'É um torneio que, em primeiro lugar, paga pior, um torneio que dá muito trabalho de logística, tudo pago pelo clube'
'É um torneio que, em primeiro lugar, paga pior, um torneio que dá muito trabalho de logística, tudo pago pelo clube' (Foto:Bruno Cantini/Atlético)

Por Rômulo Ávila

Pior que a decisão de colocar um time reserva e praticamente abrir mão da Copa Sul-Americana foi a entrevista do presidente Sérgio Sette Câmara após o empate sem gols com o San Lorenzo, no Independência.  Nem na época de vacas magras de Ziza Valadares não recordo de uma entrevista tão infeliz como a que Sette Câmara concedeu ao Canal FoxSports. 

Em uma tacada só ele conseguiu desvalorizar o bicampeonato da Conmebol (atual Sul-Americana), mostrar que o Atlético não tem planejamento, deixar transparecer que o clube não trabalha com a possibilidade de eliminação na Copa do Brasil para a Chapecoense (o que é completamente possível) e, de quebra, assumiu a responsabilidade de o time ficar, ao menos, entre os quatro primeiros colocados do Brasileirão.

Nada garante que o Atlético teria classificado se tivesse usado força máxima diante do time do papa Francisco. E, mesmo que não concorde, a decisão de escalar reservas e priorizar uma competição ou outra é, prioritariamente, uma questão interna do clube.  E é justamente esse o pecado de Sette Câmara. Tentou explicar muito e acabou expondo o clube. Como dizem por aí, perdeu a chance de ficar calado. 

“A Copa Sul-Americana é a segunda divisão da Libertadores da América. É assim que enxergo. Se ela tivesse esse valor muito grande, as duas copas que o Atlético ganhou da Conmebol teriam mais valor do que na verdade têm. E olha que, naquela época, quem classificava não era o nono, o décimo. Era o segundo e o terceiro do Campeonato Brasileiro. A Sul-Americana, além de pagar pouco, ela tem pouco valor, você vê pelos próprios públicos”, disse o mandatário.  

Em outro trecho, ele deu brecha para questionamentos sobre erros de planejamento e falta de dinheiro do clube: “ É um torneio que, em primeiro lugar, paga pior, um torneio que dá muito trabalho de logística, tudo pago pelo clube”, disse Sette Câmara. 

Se esse era realmente o posicionamento do clube, qual o motivo de ter levado força máxima no primeiro duelo disputado na Argentina? Outra pergunta que não sai da minha cabeça: Se o time reserva tivesse eliminado o San Lorenzo o discurso de Sette Câmara seria o mesmo?

Na verdade, acho que o real motivo da diretoria foi tirar a responsabilidade de uma possível eliminação do time principal. Tenho a impressão que não acreditavam muito na virada. Diante disso, optaram por uma equipe reserva. Se passasse, ótimo. Se fosse eliminado, seria o time B. O tiro, no entanto, saiu pela culatra.

Independentemente dos reais motivos, o estrago está feito. E ele foi bem pior do que a eliminação para o San Lorenzo. O tamanho real dessa mancha começará a ser medido diante da Chapecoense, quarta-feira que vem, em Chapecó. Depois da entrevista do presidente, classificar virou obrigação. 

Rômulo Ávila
É jornalista formado pela Newton Paiva. Foi repórter esportivo durante dois anos do extinto Diário da Tarde (tradicional periódico de BH fechado pelos Associados Minas em julho de 2007). Atualmente é repórter do Portal DomTotal. Antes de cursar comunicação, foi jogador de futebol profissional. Começou no Villa Nova-MG e passou pelo futebol paulista e nordestino.
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