21 Mai 2018 | domtotal.com

O Atlético está longe de ser o Corinthians de 2017


O presidente Sérgio Sette Câmara tem jogado contra com declarações, no mínimo, infelizes.
O presidente Sérgio Sette Câmara tem jogado contra com declarações, no mínimo, infelizes. (Bruno Cantini/CAM)

Por Juliano Paiva

O início do Atlético no Campeonato Brasileiro surpreende. Líder isolado com 13 pontos e aproveitamento de 72,2%, o Galo começa a ser comparado ao Corinthians, campeão nacional de 2017.   O clube mineiro, porém, está muito longe de ser o time paulista do ano passado. Para que ao menos tenha chance de repetir o feito do Timão, o Atlético precisa solucionar alguns problemas. 

Jejum de quase 47 anos

A pressão no Corinthians em 2017 era bem menor se compararmos ao que acontece hoje no Atlético. O Timão havia faturado o Estadual numa reedição da final histórica de 1977 contra a Ponte Preta. Campeão 40 anos depois em cima do mesmo rival, o clima era de festa no Parque São Jorge.  

Já o Galo perdeu o caneco para o rival Cruzeiro há pouco mais de um mês depois de vencer a primeira partida da final por 3 a 1.   

Além disso, o Timão havia conquistado o Brasileirão recentemente, em 2015. Primeiro campeão nacional, o Atlético amarga um jejum desde 1971 sem levantar a taça do Campeonato Brasileiro. 

Presidente 

O Atlético ainda terá que lidar com um outro problema criado dentro do próprio clube. O presidente, Sérgio Sette Câmara, tem “jogado contra” com declarações, no mínimo, infelizes. Usar reservas na Copa Sul-Americana e, pior, chamar a competição de segunda divisão da Copa Libertadores, não pegou nada bem.    

Sette Câmara irritou a torcida, que o tem agora como persona non grata, ao menosprezar a história do clube que preside. O Atlético é bicampeão da Copa Conmebol, torneio que deu origem à Sula. 

A pressão por um título em 2018 só aumentou com a estratégia equivocada do presidente no torneio continental e suas declarações. 

Isso pode atrapalhar. E muito! 

Copa do Brasil

O Atlético conseguiu ser eliminado também do torneio que hoje é a “menina dos olhos” dos clubes.  A Copa do Brasil premia o seu campeão com uma Mega Sena de quase 70 milhões. Prejuízo técnico e financeiro que só aumentaram a responsabilidade do time e da diretoria na temporada.   

Protagonista 

Se o Corinthians teve Jô como seu principal jogador na conquista do Campeonato Brasileiro 2017, o Atlético ainda procura o seu protagonista. 

Ricardo Oliveira, que joga na mesma posição, está longe de ser esse atleta. Otero e Cazares são muito instáveis, alternam bons e maus momentos sem conseguir se firmar no time titular.  

O momento é de Róger Guedes, mas é improvável que ele mantenha o alto nível até dezembro. Seu temperamento também é uma incógnita. 

Reforços

O Atlético precisa de reforços. Isso é evidente! De três a quatro reforços, como disse o próprio Thiago Larghi. Se trouxer atletas que resolvam, o Galo mudará de status e, aí sim, poderá sonhar com no mínimo uma vaga na Taça Libertadores 2019. Mas os cofres alvinegros estão vazios. Outro problemão para a diretoria resolver. 

Técnico

O Galo, hoje, não tem um técnico. Tem um técnico interino, não um técnico. Thiago Larghi realmente faz um bom trabalho. Deu consistência defensiva à equipe e recuperou alguns jogadores importantes. 

Ele precisa sim melhorar, por exemplo, nas substituições. De todo jeito, já fez mais do que seu antecessor, Oswaldo de Oliveira. O time hoje é pior tecnicamente do que o do ano passado, porém, acredite, mais confiável.  

Larghi será efetivado? Ou Cuca será contratado? Essa incerteza vai perdurar até quando? Mais um probleminha que o Atlético precisa resolver para, pelo menos, “sonhar” ser o Corinthians de 2017.  

Juliano Paiva
é jornalista formado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente editor do Dom Total, Paiva trabalhou nos jornais O Tempo, Hoje em Dia e no extinto Diário da Tarde, tradicional periódico de Belo horizonte fechado pelos Associados Minas em julho de 2007. No DT, começou como repórter da editoria Cidades, mas, na época do fechamento do jornal, fazia cobertura esportiva. Também foi responsável pela cobertura de jogos do Campeonato Brasileiro para a Folha de São Paulo no segundo semestre de 2007.
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