07 Jun 2018 | domtotal.com

Curso inferior de baixarelado

Há cursos espalhados pelo país cuja instrução dada aos seus docentes é: 'Não reprove ninguém'

Grandes corporações têm adquiridos grupos educacionais menores, criando conglomerados que não poderiam receber o adjetivo 'de ensino'
Grandes corporações têm adquiridos grupos educacionais menores, criando conglomerados que não poderiam receber o adjetivo 'de ensino' (Reprodução/ Pixabay)

Por Gilmar Pereira

Não pergunte aos universitários, caso vá parar em algum programa do tipo Show do Milhão ou alguma cópia de Who Wants to Be a Millionaire?, da Sony.  Dizendo melhor, não pergunte a um universitário qualquer. Se um dia ter alguma graduação foi sinônimo de possuir cultura vasta, hoje não quer dizer muita coisa.  Dizemos isso em relação a conhecimento, imagine quando se fala de sabedoria, que é algo não dado por diplomas.

Recentemente, alunos da PUC -Rio  participantes dos Jogos Jurídicos, competição esportiva entre estudantes dos cursos de Direito do Estado do Rio de Janeiro, cometeram atos de racismo contra seus pares de outras instituições. Repita-se, alunos do curso de Direito que, em tese, deveriam compreender o mínimo de Direitos Humanos e sobre a dignidade da pessoa humana. Embora a PUC possua um Núcleo Interdisciplinar de Reflexão e Memória Afrodescendente e seja a primeira instituição particular brasileira a instituir política de acesso e permanência de alunos negros e carentes, alguns que lá estudam cerraram seus ouvidos à educação recebida.

Fazer ouvidos moucos não é privilégio de apenas um grupo de alunos de uma única faculdade. Pode se aventar que o problema seja ainda mais grave, quando se percebe universitários com problemas graves de escrita e (Pasmem!) de leitura. E aqui não se fala apenas da dificuldade de interpretação de texto, mas da capacidade de ler com fluência e entender o que leu, identificando sujeito e predicado, que é o nível basal para uma posterior compreensão.

Faça um teste. Leia alguns comentários na Internet e depois visite o perfil de seus autores. Há pessoas das mais distintas graduações destilando boçalidade, arrogando-se do título de educação superior. Justamente pelo título conferido, tomam-se a si como doutos e versados em qualquer temática à qual não se poupam em opinar. Esquecem-se do princípio básico da Filosofia que distingue opinião (doxa) de conhecimento (episteme) e creem que não podem ser criticados porque pensam que seriam desrespeitados. Entretanto, apontar os equívocos de uma opinião é respeitar quem a omitiu ou, como diz a tradição cristã, uma das obras de misericórdia – instruir os ignorantes.

Uma grande parte do Ensino Superior brasileiro não possui holismo. Estuda-se apenas o escopo da própria graduação e, vez ou outra, trata-se, de modo superficial, sobre outras temáticas em sala de aula, geralmente em conversas informais como distensão entre os temas principais tratados. Assim formam-se médicos que não entendem de política, às vezes nem de políticas de saúde; engenheiros civis que não pensam o problema socioeconômico habitacional; pedagogos que desconhecem literatura e as nuances da linguagem. Contudo, todos se tornam formadores de opinião e são reconhecidos por pessoas mais simples como “gente estudada”.

Há cursos espalhados pelo país cuja instrução dada aos seus docentes é: “Não reprove ninguém”. Isso vale também para reprovação por falta, mesmo que as últimas aulas, particularmente as de sexta-feira, constem com poucas pessoas em sala. Muitos universitários se encontram entretidos nos bares próximos aos estabelecimentos de ensino. Alguns ainda fazem o máximo possível para atormentar seus professores, atribuindo-lhes a culpa por insucesso nas provas ou falta de sensibilidade pelo não cumprimento de atividades e trabalhos. Diversos professores relatam o acosso sofrido por coordenações e alunos, o que desce o nível do ambiente acadêmico. Formam-se pessoas eticamente baixas, que não poderiam ser chamadas de bacharéis, mas “baixareis”. Empurrados para fora da faculdade depois de alguns anos, para além do diploma, possuem apenas educação de Ensino Inferior.

Grandes corporações têm adquiridos grupos educacionais menores, criando conglomerados que não poderiam receber o adjetivo “de ensino”. Trata-se da indústria do diploma. Diversos demitem professores doutores e contratam mestres por salários abaixo do mercado, atraindo além de pessoas que precisam urgentemente de emprego (mesmo sendo boas), pessoas com titulação, mas pouco preparo. Apesar do sucateamento do ensino, alguns professores e alunos ainda conseguem dar o seu melhor.

Uma faculdade picareta pode ter alunos e professores bons, mas o contrário também é possível. Há uma grande quantidade de pessoas que nunca leu um livro completo apesar dos anos de curso, vivendo a base de resumos alheios e participação em grupos de trabalho em que um ou dois carregam cinco nas costas. São estes que, sem conhecer bem aquilo que lhes compete, insistem em opinar em área alheia.

I Workshop Maternar

Quando falamos de educação, precisamos pensar não só na formal, conferida por estabelecimentos de ensino, mas naquela que também acontece no seio da família. Nesse sentido, em tempos de transformação social e tecnológica, nosso olhar deve se voltar para o princípio de tudo, desde a gestação e a maternidade, passando pelo ambiente do primeiro desenvolvimento da criança, que é determinante na formação do indivíduo. As universidades não dão conta de corrigir problemas de formação que vem de berço.

BH sediará o “I Workshop Maternar”, um evento comprometido com o desenvolvimento do Ser Humano, focado na criança e na família contemporânea, por um mundo melhor de se viver.  Será realizado no dia 16 de junho, das 8h às 20h, no Espaço de Eventos Unimed (rua dos Inconfidentes, 44, Funcionários). Estarão presentes especialistas de diversas áreas como psicólogos, médicos, coaches, doulas e enfermeiras. As inscrições estão disponíveis no Sympla.

Ao todo serão cinco mesas-redondas sequenciais no formato talk show e cuja capacidade de participação de cada uma será de até 350 pessoas. Os temas serão: “A mulher, a gestante e a mãe na contemporaneidade” (Mesa 1), “Pré-natal e parto” (Mesa 2), “A chegada de um filho – desafios na relação com o bebê e a criança” (Mesa 3), “A família com a chegada de um filho – a mulher, o homem e o casamento” (Mesa 4) e “Criando filhos para um mundo novo” (Mesa 5).

E para debater esses temas foram convidados 18 palestrantes, como a pediatra Filomena Camilo do Vale (Dra. Filó), Marcos Piangers (O Papai é Pop), Dr. Hemersonn Magioni, Dr. Daniel Becker (obstetra) e Alexandre Coimbra (psicólogo), entre outros. Haverá a participação especial de Gustavo Ziller e família. O montanhista, empreendedor e criador da série 7CUMES do Canal Off, junto com sua mulher Patrícia Brandão e os filhos Joana, Iara e Mateus. preparou surpresas para o evento.

Informações: http://www.maternarworkshop.com.br/

Gilmar Pereira
Gilmar Pereira é mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP; bacharel e licenciado em Filosofia pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CESJF); bacharel em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE). Também possui formação em Fotografia pelo SESI-MG/ Studio 3 Escola de Fotografia. É responsável pela editoria de Religião do portal Dom Total, onde também é colunista. Atua como palestrante há 18 anos, com grande experiência no campo religioso, tem ministrado diversos minicursos nas áreas de Filosofia, Teologia e Comunicação. Possui experiência como professor de Filosofia e Sociologia e como mestre de cerimônia. Leciona oratória na Dom Helder Escola de Direito e ministra a disciplina ''A comunicação como evento teológico'' na especialização ''Desafios para a Igreja na Era Digital''.
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