08 Jun 2018 | domtotal.com

A Copa da Rússia no país da corrupção 

Como o torcedor vai empolgar com o milionário time de Tite pagando quase R$ 100 em um botijão de gás?

É tanto golpe que nem o futebol traz a alegria de outros tempos
É tanto golpe que nem o futebol traz a alegria de outros tempos

Por Rômulo Ávila

A Copa do Mundo da Rússia começa no dia 14 deste mês e no país do futebol (pelo menos em Belo Horizonte, palco dos 7 a 1) o clima de copa passa longe. Ao menos essa é a impressão que tenho. Não vejo ruas enfeitadas, carros com bandeirinhas do Brasil e muito menos o comércio movimentado com as vendas dos artigos da seleção canarinho como em outras edições.

E olha que dentro de campo a seleção de Tite até faz por merecer certa empolgação dos torcedores. O Brasil chega ao mundial como um dos favoritos por mérito, já que o time resgatou, desde a chegada do treinador, o verdadeiro futebol pentacampeão.  Então, qual o motivo do desânimo do povo brasileiro?  É claro que não tenho tal resposta, mas faço uma ideia: sofrimento. 

Como o torcedor vai empolgar com o milionário time de Tite pagando quase R$ 100 em um botijão de gás ou R$ 5 no litro da gasolina? Isso sem contar o desemprego que atinge mais de 13 milhões de trabalhadores. A realidade do brasileiro está tão cruel que até mesmo o futebol parece ter perdido aquela magia de encantar e fazer o povo esquecer das mazelas de seus governantes. O cara torce no domingo e na segunda levanta de madrugada para procurar emprego. Afinal, desempregado fica díficil pagar o valor salgado da conta de luz, que subiu 18% em Minas justamente no mês da Copa.

Até acho que o clima de copa vai aflorar um pouco mais com a proximidade da estreia da seleção, marcada para o dia 17, contra a Suíça. No entanto, dificilmente será como antes. No fundo, no fundo o brasileiro anda desanimado. Cansou de ver malas de dinheiro circulando entre políticos enquanto não tem o básico, nem dinheiro para comprar o gás. É mala com R$ 51 milhões para um lado, mesada de R$ 340 mil para o presidente para o outro e nada é feito. Quer dizer... a projeção de reajuste foi revista e o salário-mínimo do brasileiro não chegará a R$ 1.000 em 2018. É muita injustiça para um só país.  Assim, nem o futebol aguenta. Quem venha outubro. 

Rômulo Ávila
É jornalista formado pela Newton Paiva. Foi repórter esportivo durante dois anos do extinto Diário da Tarde (tradicional periódico de BH fechado pelos Associados Minas em julho de 2007). Atualmente é repórter do Portal DomTotal. Antes de cursar comunicação, foi jogador de futebol profissional. Começou no Villa Nova-MG e passou pelo futebol paulista e nordestino.
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