09 Jul 2018 | domtotal.com

Por que Neymar não deu carretilha contra a Bélgica?


Neymar não deu carretilha no jogo contra a Bélgica.
Neymar não deu carretilha no jogo contra a Bélgica. (AFP)

Por Juliano Paiva

A Copa da Rússia acabou para a seleção brasileira. O hexa segue como sonho, objetivo para o próximo Mundial no Catar. Para ter êxito daqui a quatro anos, alguns problemas precisam de solução.

Alguns deles estão diretamente relacionados a seu principal jogador. Por que Neymar não deu carretilha contra a Bélgica? Por que o craque brasileiro não concedeu entrevista depois da partida da eliminação e se recusou, no desembarque no Rio, a ter contato com os torcedores?  

A resposta para as três questões acima é a mesma: a seleção perdeu e ele, Neymar, fracassou. Como eu disse outro dia, Neymar tem um problema grave: o seu comportamento.

O jogador do PSG não sabe perder, lida mal com as adversidades. Quando estava 0 a 0 contra a Costa Rica xingou os adversários, mas quando a seleção balançou as redes, deu carretilha como forma de humilhá-los.

Sim, não escrevi errado. O objetivo ali era humilhar os costarriquenhos. Se fosse criar algo novo, uma jogada de gol, abrir a defesa adversária, Neymar teria dado carretilha também em um dos belgas. Ou pelo menos tentado.   

Tite teve muito trabalho com Neymar na Rússia. Enquadrou o jogador em alguns momentos, tanto que ele foi se acalmando, mudando um pouco com o passar das partidas. Contra a Bélgica simulou uma falta, percebeu a bobagem que fez e ele mesmo disse ao árbitro que não havia sido nada. Algo inédito ou, no mínimo, raro na vida de Neymar.

Mas Tite também passou a mão na cabeça de Ney. Logo Tite, que um dia disse:  “Neymar é um mau exemplo para meu filho”.

O tratamento diferenciado ao camisa 10 fica evidente na fala de Edu Gaspar. “Não é fácil ser Neymar, chega a dar pena”, disse o coordenador da seleção brasileira.  Neymar é o que ele construiu: craque, amado, odiado e, hoje, piada mundial por suas simulações.

A seleção chegou onde chegou na Rússia graças, em especial, a Tite que transformou o caos pós-7 a 1 num time de futebol competitivo. Mas Tite terá que ser, talvez, o amigo que Ney não tem. O verdadeiro amigo.

Tite pode ser a pessoa a dizer para Neymar que ele não é Messi, Cristiano Ronaldo e, tão pouco, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Maradona ou Pelé. E nunca será!

Neymar é apenas Neymar, o que já é muito. Poucos têm a qualidade técnica do atacante do PSG.  

Se colocar isso na cabeça e jogar futebol – vou repetir, jogar futebol –, Neymar será muito mais útil para seu clube e, claro, para a seleção brasileira. Pode, inclusive, ser o protagonista do hexa. Ainda dá tempo!

Juliano Paiva
é jornalista formado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente editor do Dom Total, Paiva trabalhou nos jornais O Tempo, Hoje em Dia e no extinto Diário da Tarde, tradicional periódico de Belo horizonte fechado pelos Associados Minas em julho de 2007. No DT, começou como repórter da editoria Cidades, mas, na época do fechamento do jornal, fazia cobertura esportiva. Também foi responsável pela cobertura de jogos do Campeonato Brasileiro para a Folha de São Paulo no segundo semestre de 2007.
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