12 Jul 2018 | domtotal.com

O fracassado golpe de Favreto

O plano dos petistas, todo mundo sabe, é rasgar a ficha suja de Lula, oficializando sua tão sonhada candidatura à Presidência da República.

Desembargador Rogério Favreto.
Desembargador Rogério Favreto. (Sylvio Sirangelo/ TRF4/ Divulgação)

Por Jorge Fernando dos Santos

A ação do desembargador Rogério Favreto, plantonista do TRF4, no último domingo, evidenciou a existência de um complô no seio do Poder Judiciário para tirar Lula da cadeia. O golpe, no entanto, foi abortado pelo presidente do tribunal, Thompson Flores, que jogou água na fervura.

Há quem diga que a manobra teve como principal objetivo testar a opinião pública e as instituições democráticas. É quase certo que virão por aí novas investidas no sentido de libertar o líder petista e acabar de vez com a Operação Lava-Jato. Tanto que a soltura do ex-ministro José Dirceu teria como objetivo sua participação no congresso do Foro de São Paulo, a se realizar em Cuba.

Amigo de Lula, Favreto militou no PT por vários anos, trabalhou com Dirceu na Casa Civil e foi nomeado para o cargo pela ex-presidente Dilma. Seu ato contrariou a lei e foi previamente comemorado pelo próprio Dirceu, em prisão domiciliar, que festejou o feito nas redes sociais antes que o fato virasse notícia.

Coisas como esta só acontecem no Brasil! Por mais que nos esforcemos para manter a imagem de país democrático e civilizado, o fato é que ainda somos uma republiqueta de bananas dominada pela corrupção nos mais diversos matizes ideológicos.

Os milhões de brasileiros que se manifestaram em favor do impeachment de Dilma deveriam ter mantido a mobilização nas ruas, visando evitar as manobras do sistema judiciário e político. Basta lembrar o disparate de se ter preservado sua elegibilidade, numa verdadeira afronta à Constituição Federal.

Eleições à vista

A não cassação dos direitos políticos da ex-presidente foi o indício de um acordo de bastidores para enterrar a Lava-Jato. Não é de se duvidar da participação do próprio vice, Michel Temer, também suspeito de corrupção. Basta lembrar seu encontro com Joesley Batista e a prisão de alguns de seus aliados mais próximos. Estes, por sinal, remanescentes dos governos anteriores.

Outro absurdo são as ações descabidas da segunda turma do Supremo Tribunal Federal (STF) – formada por Gilmar Mendes, Ricardo Levandowski e Dias Tóffoli, que têm exagerado na liberação de condenados por corrupção. O primeiro tem amigos no PSDB, entre eles Aécio Neves, enquanto os outros dois já serviram ao Partido dos Trabalhadores. 

Como no Brasil nada é tão ruim que não possa piorar, o fato mais preocupante ainda está por vir. Trata-se da sucessão da ministra Cármen Lúcia por Dias Tóffoli na presidência do STF. Coincidência ou não, isso ocorrerá em setembro, um mês antes das eleições.

Caso a atual tendência do Judiciário se mantenha, podemos esperar novas tentativas de golpe para a libertação definitiva de Lula – embora ele tenha outros processos em andamento. O plano dos petistas, todo mundo sabe, é rasgar sua ficha suja, oficializando a tão sonhada candidatura à Presidência da República.

Jorge Fernando dos Santos
Jornalista, escritor, compositor, tem 44 livros publicados. Entre eles Palmeira Seca (Ed. Atual), Prêmio Guimarães Rosa em 1989; ABC da MPB (Paulus), selo altamente recomendável da FNLIJ em 2003; Alguém tem que ficar no gol (SM), finalista do Prêmio Jabuti em 2014; Vandré - o homem que disse não (Geração), finalista do Prêmio da APCA em 2015; e A Turma da Savassi (Quixote).
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