16 Jul 2018 | domtotal.com

A coadjuvante seleção brasileira


O cai-cai de Neymar chamou mais atenção do que o futebol brasileiro na Copa.
O cai-cai de Neymar chamou mais atenção do que o futebol brasileiro na Copa. (André Mourão / MoWA Press)

Por Juliano Paiva

A seleção brasileira terminou a Copa do Mundo da Rússia como mera coadjuvante. Nos mundiais do século 21 esse papel tem sido recorrente, com exceção, claro, de 2002 quando conquistou o penta.  

Em 2006, a farra de Weggis chamou mais atenção do que o futebol apresentado pelos nossos craques na Alemanha. 

Quatro anos mais tarde, na África do Sul, Dunga, com seu mau humor e falta de educação peculiares, era mais debatido do que jogadores como Kaká ou Robinho. 

Já na Copa em casa, em 2014, de certa maneira a seleção brasileira até que foi protagonista, mas do maior vexame da história dos mundiais. Nunca antes da história do universo, seja DC ou Marvel, uma gigante do futebol havia sido goleada na semifinal, diante de sua torcida aos prantos, por 7 a 1. 

Feito único e, certamente, inigualável. 

Na Copa da Rússia, o roteiro mudou um pouco. Não teve goleada na eliminação, porém, desde o início, os bastidores de um jogador/ator eram muito mais falados, comentados e manchetados do que o futebol verde e amarelo. 

Antes mesmo de a bola rola, acredite, o cabelo de Neymar, ao estilo miojo, ganhou as manchetes. 

Para a estreia contra a Suíça, o miojão deu lugar a um volumoso topete, ao estilo do chatíssimo mascote “canarinho pistola”. Eis o grande destaque brasileiro nos primeiros 90 minutos na Rússia, mais do que o futebol mostrado por Neymar e companhia no frustrante empate de 1 a 1. 

Nos jogos seguintes, Ney mudou de novo o visual, mas o assunto já era outro. Não, nada de futebol brasileiro, dribles, golaços ou defesas impossíveis. As simulações do ator/jogador Neymar tomaram conta.  

O “craque” abusou ao tentar enganar os árbitros, inclusive o VAR, e os outros quase 8 bilhões de habitantes da Terra. A consequência não poderia ser outra. Neymar virou chacota mundial e verbo. Sim, verbo! Neymar hoje é sinônimo de cair. E as piadas parecem não ter fim. Os memes são eternos! 

A mítica camisa amarela que durante décadas foi sinônimo de craques como Pelé e Garrincha, hoje está associada a algo “fake”.

E isso escancara uma nova ordem no futebol mundial. Num outro recorte, levando-se em conta os últimos 20 anos, a França é mais campeã do que o Brasil. São duas Copas dos Bleus contra uma verde amarela.  

Já a Alemanha é quem reina soberana de 1974, quando a taça Jules Rimet deu lugar à taça Fifa, até hoje. De lá para cá foram disputados 12 mundiais. 

No período, a seleção de Franz Beckenbauer ganhou três Copas e foi três vezes vice-campeã. Em seguida está a Argentina de Maradona com dois títulos e dois vices. Brasil, França e Itália tem duas Copas e um vice cada, enquanto a Espanha tem uma conquista. 

Na história, o Brasil ainda está muito bem. Resta saber até quando. 

Juliano Paiva
é jornalista formado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente editor do Dom Total, Paiva trabalhou nos jornais O Tempo, Hoje em Dia e no extinto Diário da Tarde, tradicional periódico de Belo horizonte fechado pelos Associados Minas em julho de 2007. No DT, começou como repórter da editoria Cidades, mas, na época do fechamento do jornal, fazia cobertura esportiva. Também foi responsável pela cobertura de jogos do Campeonato Brasileiro para a Folha de São Paulo no segundo semestre de 2007.
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