10 Ago 2018 | domtotal.com

Há mar para viver

A ênfase no 'eu primeiro' tem causado grandes prejuízos sociais.

"Nenhum homem é uma ilha isolada", John Donne (Reprodução/ Pixabay)

Por Gilmar Pereira

A frase calou fundo no coração e vez por outra retorna flutuante à mente, como os tais navios fantasmas que surgem e desaparecem no mar das ideias: “nenhum homem é uma ilha isolada”. Em meio às ondas encapeladas do oceano do pensamento, que ora é pacífico e ora revolto, ela se apresenta como tábua de salvação. Quem a ela se apega pode sobreviver ao naufrágio solipsista.

Sim, nenhum homem é uma ilha isolada e isso – que ouvi há tantos anos, sem sequer conhecer o poeta John Donne, que a proferiu – pode ter me salvado. Em épocas de individualismo, a certeza do não isolamento ajuda os náufragos a chegar às margens do outro. O outro é porto seguro porque, na limitação e finitude individual, pode oferecer aquilo que falta a um. Pode também, justamente por sua alteridade, apontar nosso próprio limite e nos devolver a nós mesmos. Ele, ainda, porta-se como baliza, seja para mostrar onde se acerta, seja para sinalizar onde se erra. O outro, ao oferecer limite e parâmetro distinto, salva da dúvida ou das certezas arrogantes, do autocentramento ou da solidão.

Saber que compartilhamos uma mesma natureza e destino possibilita a solidariedade humana, ainda que seja apenas por conta do princípio "faça aos outros o que gostaria que fizessem com você". A ênfase no "eu primeiro" tem causado grandes prejuízos sociais. Essa primazia não é só da ordem da busca pelos próprios interesses, mas entra também na esfera do pensamento: não importa a verdade das coisas, mas sim a opinião pessoal. Quem nunca ouviu que "esta é minha opinião" como se isso bastasse para encerrar uma discussão? O apelo ao direito de opinar qualquer coisa sem base ou referência é bala de canhão contra o barco social.

Recentemente uma organização dos EUA disponibilizou para download arquivos instruindo como fabricar armamentos em impressora 3D que, além de não serem detectáveis, também não podem ser rastreados. As opiniões sobre segurança pública do fundador de tal organização não levam em consideração as demais e muito menos os estudos e dados sérios sobre o assunto - e opinião é diferente de conhecimento. O problema não é o seu opinar, mas as consequências práticas de seu posicionamento. Ao disponibilizar a tecnologia, que já teve vários downloads, isso tem impacto mundial.

Ao que parece, estamos entrando numa fase onde cada qual descobre que não é uma ilha, mas de uma maneira ruim. O individualismo caminha para o autoritarismo a passos largos. Não basta priorizar o próprio pensamento, quer-se que ele seja imposto sobre os demais. Para tanto, junta-se com quem pensa de modo similar apenas a fim de que a própria voz reverbere. Não que se encontre no igual um par; a relação se estabelece unicamente pela oposição ao diferente.

Do fechamento em si mesmos, os indivíduos caminham para imposição de si sobre os outros. E isso se observa nas distintas relações humanas. Nos ambientes laborais, em vez da colaboração, a disputa; nas relações interpessoais, a busca da dominação dos que são próximos; na religiosidade, o interesse exclusivo pelo bem-estar pessoal; nos modos de ocupar a cidade, a prioridade pela própria mobilidade e vez; no interagir com a natureza, a extração de seus bens sem preocupação do seu cuidado ou preservação. A prece contemporânea é conforme o chiste popular: "que venha a nós; ao vosso reino, nada".

O naufrágio humano está justamente nesse ponto em que a satisfação e imposição do eu faz com que cada qual esteja tão cheio de si que, pesado, afunde no próprio egoísmo. O ser humano é, antes de tudo, um ser social. Quando foge desse seu caráter, acaba desvirtuando da própria humanidade. Assim, há de se cuidar para não tomar qualquer vento ou seguir qualquer maré. Ultimamente, qualquer perspectiva que não preze a vitória individual ou que defenda a coletividade já é taxada de comunismo e é execrada. Quem sente esse clima pode desanimar e crer que o mar não está para peixe. Como Jazão, ato-me ao princípio de que “nenhum homem é uma ilha isolada” para não cair no canto da sereia. Juntos sobreviveremos.

Conexão Sustentável ALCOA chega à quarta edição com teatro e cinema gratuitos

Andradas, Poços de Caldas e Divinolândia são as primeiras cidades a receber o projeto que destaca a importância da conservação ambiental e do consumo consciente  

Minas Gerais será o primeiro estado a receber as atrações da quarta edição do Conexão Sustentável Alcoa. O projeto, que leva cinema e teatro gratuitos a diversos pontos do país, estará em Andradas de 7 a 10 de agosto e depois segue para Poços de Caldas, onde permanece de 14 a 17 do mesmo mês. Na semana seguinte a atração visita o município de Divinolândia (SP). A programação, toda gratuita, busca conscientizar o público sobre a importância da sustentabilidade e inclui ainda oficinas de reciclagem.

Essa é a primeira etapa do projeto aprovado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura. Além de Minas Gerais e São Paulo, o Conexão Sustentável Alcoa vai passar também por São Luís, no Maranhão, e Juruti, no Pará. Nessas localidades, a população será convidada a visitar o Palco Móvel, arena que abriga até 250 pessoas.

Dois grupos serão responsáveis por divertir o público com apresentações teatrais. A Cia Casa do Bispo Atelier, de Gramado (RS) vai encenar o espetáculo “Era uma vez... Super-Heróis e Liga do Planeta Sorriso”, que aborda o consumo consciente de forma bastante divertida. Já o Palhaço Félix e Cia, de Canela (RS), apresenta “Não se lixe pro lixo”, com palhaços que ensinam a economizar água e reciclar o lixo ao mesmo tempo que divertem o público com a arte circense. Enquanto aguarda as atrações culturais, o público poderá se divertir usando tablets com jogos educativos disponíveis na estrutura da arena.

Nos meses de outubro e novembro ocorre a segunda etapa do projeto. O Cinemóvel vai passar por São Luís, Santarém e Juruti, no Pará, e Campo Belo do Sul, em Santa Catarina. Nessa etapa, sessões de cinema e apresentações teatrais vão ocorrer em um auditório climatizado com 30 poltronas, espaço para cadeirante, telão de 120 polegadas e som estéreo. De agosto a novembro serão visitados cinco estados e promovidas 168 apresentações de teatro e 84 sessões de cinema

“De uma forma bem lúdica, este projeto compartilha conceitos muito importantes de sustentabilidade. Queremos deixar este legado para diversas gerações nas comunidades onde a Alcoa atua”, destaca a gerente de Programas do Instituto Alcoa, Tatiana Bizzi.

 “Nosso propósito é disseminar cultura. Vamos percorrer milhares de quilômetros para cumprir essa tarefa e estamos bastante entusiasmados com a possibilidade de levar teatro e cinema a localidades mais remotas ”, diz Jefferson Bevilacqua, diretor da Magma Cultura, produtora do projeto.

SERVIÇO

Palco Móvel

ANDRADAS/MG
07 a 10 de Agosto
Centro Esportivo Comunitário  Benedito Andrade Filho – Fio Tolosso
Rua Olinto Trevisan, s/n ( Rua sem saída), Vila Buzato

POÇOS DE CALDAS/MG
14 a 17 de Agosto
Parque José Affonso Junqueira

DIVINOLÂNDIA/SP
21 a 24 de Agosto
Praça da Matriz

SÃO LUÍS/MA
03 a 06 de Setembro
Praça do Viva do Anjo da Guarda

SÃO LUÍS/MA
11 a 14 de Setembro
SENAI - Av. Engº. Emiliano Macieira (BR 135), Km 5

JURUTI/PA
25 a 28 de Setembro
Tribódromo

CineMóvel

SÃO LUÍS/MA - 08 a 12 de outubro

SANTARÉM/PA - 22 a 26 de outubro

JURUTI/PA - 29 de outubro a 02 de novembro - 05 a 09 de novembro - 12 a 16 de novembro

CAMPO BELO DO SUL/SC - 26 a 30 de novembro

Gilmar Pereira
Gilmar Pereira é mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP; bacharel e licenciado em Filosofia pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CESJF); bacharel em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE). Também possui formação em Fotografia pelo SESI-MG/ Studio 3 Escola de Fotografia. É responsável pela editoria de Religião do portal Dom Total, onde também é colunista. Atua como palestrante há 18 anos, com grande experiência no campo religioso, tem ministrado diversos minicursos nas áreas de Filosofia, Teologia e Comunicação. Possui experiência como professor de Filosofia e Sociologia e como mestre de cerimônia. Leciona oratória na Dom Helder Escola de Direito e ministra a disciplina ''A comunicação como evento teológico'' na especialização ''Desafios para a Igreja na Era Digital''.
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