10 Ago 2018 | domtotal.com

Tem sentido a escola sem partido?

Entendemos que a questão dos Direitos Humanos e da Declaração Universal não estão tão distantes como as guerras acontecidas na Europa.

A escola, para educar, tem que ter partido.
A escola, para educar, tem que ter partido. (Reprodução)

Por Marcel Farah

Esta semana debati com estudantes de um curso popular para o Enem, o TrilhaUni, organizado e mantido pelo centro de formação da juventude Cajueiro, em Goiânia-GO.

Dialogamos sobre a internet como um instrumento de educação. Passamos pela educação como direito, pelos direitos humanos, pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, que este ano completa 70 anos, pelo mercado que se tornou o setor de comunicação e, dentro disso, pela internet.

Muitas ideias, muita diversidade, e o desejo comum de acessar o mundo da universidade a partir deste caminho, desta trilha popular.

Os momentos de maior participação e reflexão aprofundada foram fomentados pelos exemplos.

O valor pedagógico do exemplo está na conexão que ele é capaz de estabelecer entre o que se discute em teoria e a vida real, dando significado às elucubrações teóricas.

O fim da segunda guerra mundial e o início da guerra fria, contexto da promulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos pouco têm sentido para as pessoas. Contudo o fechamento da fronteira brasileira com a Venezuela em ato jurídico totalmente xenófobo e por isso desrespeitoso dos Direitos Humanos atiça a curiosidade: e os EUA, desrespeitam os Direitos Humanos ao fecharem sua fronteira com o México?

Certamente! É um baita desrespeito que limita o direito humano à livre locomoção.

Contudo, revela que a Declaração de quase 70 anos, até hoje não é cumprida, e que sua atualidade reside, entre outros também neste fato.

Por outro lado, a mídia brasileira, primeira a acusar a Venezuela de diversos desrespeitos aos direitos humanos e encobertar os políticos brasileiros que também pensam assim, não costuma tratar as atitudes norte-americanas como violações, por mais escandalosas que sejam.

E o debate continua sobre a mídia, então.

Qual o interesse se revela com a subserviência da mídia aos norte-americanos? Será que ela tem posturas semelhantes em relação ao outros acontecimentos?

Logo nos debruçamos sobre o oligopólio que domina a mídia brasileira: apenas 7 famílias dominam 70% dos principais meios de comunicação do país. Qual o resultado disso? Há como ter pluralidade quando a mídia é oligopolizada?

Enfim entendemos que a questão dos Direitos Humanos e da Declaração Universal não estão tão distantes como as guerras acontecidas na Europa, apelidadas de mundiais, ou ao nazismo de Hitler como se ninguém mais, hoje em dia, defendesse ideias fascistas.

Conclusão… bem, não chegamos a conclusão alguma pois o momento era de abertura das ideias para debate, uma reflexão problematizadora.

Contudo, entendemos que a escola, para educar, tem que ter partido, tem que sujar as mãos na lama da realidade, tem que se envolver, assumir lado, defender a justiça e fazer-se plenamente popular, e só assim terá sentido.

Assim como o faz o Cajueiro.

Marcel Farah
Educador Popular
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