24 Ago 2018 | domtotal.com

Teoria da conspiração

Imagine all the people living in URSAL.

Alguém traz um benzodiazepínico?
Alguém traz um benzodiazepínico? (Reprodução/ Pixabay)

Por Gilmar Pereira

O termo URSAL virou chacota nacional após um dos debates entre presidenciáveis. Quem teve curiosidade para buscar o significado, deve ter encontrado teorias da conspiração que falavam do projeto de implantação de um Estado comunista que abrangeria todas as nações da América Latina e que isso era apenas um passo até se alcançar a Nova Ordem Mundial. Esta, por sua vez, remonta a uma conspiração bem maior.

Segundo os que acreditam nessa teoria, uma pequena elite pretende dominar o planeta e, para tanto, trama a dissolução dos Estados Nações em um único governo mundial. Como método, utilizariam uma agenda globalista, com planificação político-econômica. Mas a quem interessaria tal controle? Aí entram fundamentalistas religiosos, com leituras simplistas da Escritura, para pregar que esse domínio seria pleiteado pelo anticristo, representado por entidades (existentes ou não) que eles demonizam: Maçonaria, Ilumiti, judeus, Internacional Comunista. Às vezes isso é colocado numa amalgama só, fazendo surgir a figura do judeu comunista maçom iluminati.

Alguns elementos da teoria são bem elaborados, buscando sua justificativa em figuras icônicas da política, economia e cultura mundiais e suas biografias. Seriam 13 famílias as dominadoras do mundo – e, de fato, elas são muito influentes – Rothschild (Bauer ou Bower), Bruce, Cavendish (Kennedy), de Medici, Hanover, Habsburgo, Krupp, Plantagenet, Rockefeller, Romanov, Sinclair (St. Clair), Warburg (del Banco), Windsor (Saxe-Coburg-Gothe). Não apenas! Sobra até para figuras pop, como Jonh Lennon, que, na música “Imagine”, cantaria e promoveria o ideal na Nova Ordem, “Imagine there's no countries”.

Grupamentos religiosos são os que mais apoiam essa teoria porque enxergam no ideal de unidade a dissolução de diferenças numa homogeneização que tocaria também a religião e a fé. Por isso muitos pregam contra o ecumenismo e o diálogo religioso, porque seriam caminho para a negação do credo que julgam unicamente autêntico, o cristão. Tais rumores já rondaram outras vezes, como por exemplo, da criação de blocos econômicos como a União Europeia ou mesmo o Mercosul. A ONU, por sua vez, seria mais uma dessas estruturas à serviço de Satan que, juntamente com o movimento New Age (Nova Era) - inserida nesta ou em outras teorias conspiratórias - quer instaurar a Nova Ordem Mundial naquilo que chamariam Era de Aquário. Isso mesmo! Canta comigo: "Aqua-ri-us! Aqua-a-a-arius!", como no filme "Hair". Claro que os judeus comunistas maçons iluminiatis controladores de Hollywood estão promovendo a lavagem cerebral com esses filmes, implantando o marxismo cultural para promover a ditadura feminista, gayzista, abortista da Nova Ordem Mundial da Era de Aquário, quando Maitreya-Avatar, o anticristo disfarçado, vai reinar sobre a terra! Ufa! Alguém traz uma benzodiazepina!

Há de se confessar que a paranoia tem a ver com essa busca exagerada por sentido que, não raro, culmina no non-sense. Mas, como estamos a cata de respostas, razões e sentidos, qualquer migalha de significação pode ser um alento em meio ao absurdo existencial e a consequente aridez que causa no espírito. Qualquer palavra pode ser um fio de esperança para enfrentar a angústia, um jeito de caminhar na má-fé e suportar o desespero que descrevem os existencialistas. Os desesperados, náufragos existenciais, precisam se apegar a qualquer oferta de sentido para não soçobrar. Por isso há tanta gente aderindo a ideias loucas de toda a sorte. E como não sabem lidar com a complexidade, com o paradoxo e com a falta de sentido, operam com a exclusão de tudo que possa ameaçar a confiança em seu ponto de segurança. Assim, tudo o que for diferente do seu padrão se torna ameaçador: a sexualidade do outro, a perspectiva política do outro, a construção de relações do outro, a fé do outro, enfim, qualquer coisa que pertença ao outro. Ou pior, o problema - e, nesse caso, o inferno - são os outros.

Talvez parte da solução esteja justamente aí, naquilo que se quer evitar, nos outros. Parece que a falta de sentido cresce inversamente proporcional às experiências de encontro. Quanto mais as pessoas caminham no individualismo, mais sentido se perde, como se o isolamento mergulhasse a pessoa na própria falta, termo ao qual Freud e Lacan se dedicaram. O isolamento nos tem feito mal e é hora de abrirmos os olhos para a necessidade de construirmos pontes em vez de muros, como defende o papa. Isso se faz atentando para aquilo que nos une e encarando as diferenças como contrapontos que podem gerar equilíbrio. Estamos numa mesma barca, compartilhamos um único mundo e, por isso, temos um destino comum. É hora de cuidarmos uns dos outros e do planeta. Imagine essa unidade! Imagine all the people living life in peace!

Mostra internacional de cinema

Em sua 12a edição, a CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte acontece entre os dias 28 de agosto e 2 de setembro, com exibição de filmes e realização de diversas outras atividades em seis espaços culturais da capital mineira – Fundação Clóvis Salgado/Palácio das Artes, Sesc Palladium, Cine Theatro Brasil Vallourec, Teatro Sesiminas e MIS Cine Santa Tereza. O evento traz também uma novidade: o retorno à Praça Duque de Caxias, no tradicional Bairro Santa Tereza, onde o evento nasceu, em 2007, com a instalação de um cinema ao ar livre, o Cine Sesc na Praça.

Em seis dias de programação gratuita, a mostra vai exibir 75 filmesnacionais e internacionais, em pré-estreias e retrospectivas (27 longas, 03 médias e 45 curtas-metragens) e 44 sessões de cinema. Serão títulos de 13 estados brasileiros (BA, CE, DF, ES, GO, MG, RJ, SP, PB, PE, PR, RS e SC) e 13 países – Alemanha, Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, EUA, México, Portugal, Qatar, República Dominicana e Uruguai.

A abertura da 12ª CineBH acontece no dia 28, às 20h, no Cine Theatro Brasil Vallourec, com a pré-estreia nacional de Sol Alegria, segundo longa-metragem do paraibano Tavinho Teixeira e participação do cantor e ator Ney Matogrosso, presente na sessão. Será dedicada também a apresentar a temática central deste ano, “Pontes Latino-americanas”, e homenagear a produtora argentina El Pampero Cine, uma das mais importantes iniciativas do meio audiovisual latino nos últimos anos.

Integra também a programação da 12ª Mostra CineBH, o Brasil CineMundi – 9th International Coproduction Meeting, importante evento de mercado do cinema brasileiro realizado no país. A Mostra se completa com debates, painéis, rodas de conversa, masterclass, oficinas, Mostrinha, sessões cine-escola e atrações artísticas.

“A Mostra CineBH é o evento de cinema da capital mineira. Um espaço de formação, intercâmbio, lançamento e discussão da mais significativa produção cinematográfica atual. A cada edição renova seu compromisso de estabelecer diálogo entre as culturas, ampliar as oportunidades de negócios para o cinema brasileiro e promover a conexão de profissionais com o mercado audiovisual em intercâmbio com o mundo”, destaca Raquel Hallak, coordenadora geral do evento.

INFORMAÇÕES: Cine BH

Gilmar Pereira
Gilmar Pereira é bacharel e licenciado em Filosofia pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CESJF); bacharel em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE); Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Também possui formação em Fotografia pelo SESI-MG/ Studio 3 Escola de Fotografia. É responsável pela editoria de Religião do portal Dom Total, onde também é colunista. Atua como palestrante há 18 anos, com grande experiência no campo religioso, tem ministrado diversos minicursos nas áreas de Filosofia, Teologia e Comunicação. Possui experiência como professor de Filosofia e Sociologia e como mestre de cerimônia. Leciona oratória na Dom Helder Escola de Direito e ministra a disciplina “A comunicação como evento teológico” na especialização “Desafios para a Igreja na Era Digital”.
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