10 Set 2018 | domtotal.com

Febre de 'like'

Quando Cyndi Lauper morrer, os fãs criados nos 5 minutos após a notícia, que só conhecem "Girls just want have fun" e que nem sabem que ela continua ativa, postarão mensagens de luto.

Se criamos uma atmosfera boa, conseguimos ver o que há de bom e até mesmo melhorar o que há no entorno de nós.
Se criamos uma atmosfera boa, conseguimos ver o que há de bom e até mesmo melhorar o que há no entorno de nós. (Divulgação/ Só Track Boa)

Por Gilmar Pereira

Grande parte dos jovens já não acessa tanto o Facebook como antes. A rede já não é atrativa aos jovens de hoje como o foi aos jovens de ontem. Em resumo, tornou-se local de compartilhamento de notícias (falsas ou não), prints do Twitter, propagandas e muito discurso pedante ou burro (o "ou" alternativo, aqui usado, não é excludente, podendo ser um coisa e outra ao mesmo tempo).

Já não se contam histórias com frequência, quase não há reflexões interessantes, são poucos os grupos legais para encontro e construção de interesses comuns e mesmo fotos que partilham momentos diminuíram. Enchemos as redes sociais de selfs (que são sempre iguais), conteúdo político raso e polarizado, memes velhos que soam a riso nervoso. Em determinado momento, só vemos coisas sobre o último debate; depois, tudo é apenas sobre a última artista que morreu; em seguida, tudo é sobre um atentado. É como se todos tivéssemos um único interesse. E nesse algoritmo que valoriza os supostos interesses comuns, por não haver pluralidade e diversidade, tudo fica desinteressante.

Às vezes me pergunto se as redes não são desinteressantes porque assim o são seus usuários. Daí lembro daquilo que não é postado, das dúvidas pessoais que partilhamos no cafezinho do trabalho, do relato da aventura sexual do amigo ou amiga que só é contado para os de confiança, do pedido de oração por uma causa que não se diz aos quatro ventos. Talvez sejamos interessantes, mas não para todo mundo, não para tanta gente que a plataforma digital teima em nomear como amigo.

Não conheço uma rede social que permita classificar os agregados em conhecido, colega, amigo e parente (que nem sempre é próximo afetivamente). Mas nem adiantaria! Isso porque há sempre um amigo que se ama, mas não se conta tudo por sua limitação em acolher determinados pontos de nossa história. Sim, há pessoas que acolhemos e que sabemos serem incapazes de nos acolher na mesma medida. Em compensação, pode-se contar coisas intensas para algum conhecido ou motorista de transporte alternativo.

Tudo isso mostra um fato importante: a realidade digital não é reflexo exato do mundo da vida. É como a febre, sintoma de outra coisa. O que vemos nas redes consiste ora numa simplificação, ora numa amplificação do que experimentamos no cotidiano. Sobretudo, a realidade virtual consiste em outra realidade, mas que afeta e interfere o mundo da vida.

Esse simulacro tem poder de alterar como vemos o mundo e como nos autorepresentamos. Como consequência, fala-se de comunismo sem que se tenha lido sequer o "Manifesto do Partido Comunista" ou de liberalismo sem ouvir falar de "Uma investigação sobre a natureza e a causa da riqueza das nações". Fala-se de religião como se a Teologia ou as Ciências da Religião sequer existissem e os estudiosos dessas áreas não tivessem algo a dizer. Discute-se arte sem frequenta-las como se constroem casas sem estudar engenharia ou arquitetura. Por isso as casas desmoronam nas encostas em época de chuva, fundamentalistas corroem relações sociais, decide-se o destino da nação motivados por paixões. Tudo ipor uma questão destorcida de autoimagem.

Quando Cyndi Lauper morrer, os fãs criados nos 5 minutos após a notícia, que só conhecem "Girls just want have fun" e que nem sabem que ela continua ativa, vão postar mensagens de luto dizendo que a amavam, mesmo que agora a ignorem. O que importa é crer na distorção da autoimagem, convencer-se da própria mentira. Todo mundo sabe tudo sobre tudo e sobre todos. Reproduzimos, compartilhamos, criticamos, aplaudimos sem pensar. Na lógica acelerada das redes, expressar informação é mostra-se na crista da onda. Contudo, só surfa quem sabe ler o movimento do mar, aproveitando dos momentos de vaga para entrar na hora certa. Navegando na web, vemos uma maioria de náufragos vociferando uns aos outros desesperados. Mas lembre-se: é só febre.

Só Track Boa Festival

Se tomamos os discursos de ódio disseminados nas redes, podemos cair no desânimo e desesperança. Contudo, há muita coisa boa acontecendo no dia-a-dia. Acontece que as pequenas coisas boas do cotidiano não estampam jornais. São destas pequenas belezas que vida é feita, do carinho da pessoa amada, do desenho de uma criança, da paciência que alguém ensina um idoso a usar o caixa eletrônico, do vizinho que segura a porta do elevador para o outro que já está chegando. Se nos cercamos dos discursos pesados, tendemos a ignorar o que há de bom ao nosso redor. Ao contrário, se criamos uma atmosfera boa, conseguimos ver o que há de bom e até mesmo melhorar o que há no entorno de nós. Compondo uma atmosfera de alegria, volta a BH o festival Só Track Boa, apresentando o melhor da música eletrônica no gramado do Mineirão, dia 29 de setembro.

Após o sucesso do ano passado na esplanada do Mineirão, o Só Track Boa Festival retorna à capital mineira para sua segunda edição, no dia 29 de setembro, sábado, das 18h às 8h da manhã de domingo. Já tradicional entre os festivais do gênero, o Só Track Boa  surgiu em uma parceria entre o DJ e produtor brasileiro Vintage Culture e a agência Entourage. Em três anos de atividade, foram realizados mais de 50 eventos, em mais de 35 cidades de 14 estados do Brasil, com um público total que já ultrapassa 200 mil pessoas. 
Para a edição deste ano, o festival itinerante transforma, por uma noite, o maior palco do futebol mineiro em uma imensa pista de dança e entra em campo em pleno gramado do Estádio Mineirão. Ao todo, 11 atrações estão escaladas para comandar a pista, com o melhor da vibe eletrônica. Estão confirmados Vintage Culture, Bruno Be, Dashdot, Lothief, Rdt, Chemical Surf Feat. Gabriel O Pensador, Cid, Gustavo Mota B2B Groove Delight, Kvsh , Malaa e  Volac. A expectativa é reunir um público de 15 mil pessoas. 
Os ingressos estão à venda e podem ser adquiridos pela internet ou em qualquer dos pontos de venda credenciados. Os valores são diferenciados para Camarote (área coberta com bares e banheiros exclusivos, acesso ao gramado e uma vista privilegiada do evento) e Gramado (em frente ao palco). Nenhum setor do evento será open bar.

Serviço:

Só Track Boa Festival

Local: Gramado do Mineirão - Av. Antônio Abrahão Caran, 1001 - São José/BH
Data/Horário: Dia 29 de Setembro, sábado, de 18h às 8h
Mais informações: 31 3494-4646
Realização: OTM PRODUÇÕES E ENTOURAGE
CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA: 16 anos no gramado / 18 anos no camarote

INGRESSOS:

  • Camarote: área coberta com bares e banheiros exclusivos, acesso ao gramado e uma vista privilegiada do evento.
  • Gramado: frente ao palco.

- Nenhum setor do evento será open bar.

Preços (2° lote):
Gramado: • Meia: R$120,00 /  Inteira: R$240,00
Camarote: • Meia: R$190 / Inteira: R$380

Venda pela internet: Sympla

Pontos de Venda:

BELO HORIZONTE:
• Chilli Beans Diamond Mall - Ponto de venda oficial - SEM TAXA (Pagamento apenas em dinheiro)
• Chilli Beans BH Shopping - Cobrança de uma taxa de R$ 5,00 (Pagamento apenas em dinheiro)
• Chilli Beans Pátio Savassi - Cobrança de uma taxa de R$ 5,00 (Pagamento apenas em dinheiro)

• Savassi | Loja Central dos Eventos (Rua Fernandes Tourinho 470, Loja 16)
• Shopping Cidade | Quiosque Central dos Eventos
• Shopping Estação | Quiosque Central dos Eventos

CONTAGEM
• Big Shopping Contagem | Quiosque Central dos Eventos

SETE LAGOAS:
• Shopping Sete Lagoas | Quiosque Central dos Eventos
• Shopping Lagoa | Quiosque Central dos Eventos

DIVINÓPOLIS
• Shopping Pátio Divinópolis | Quiosque Central dos Eventos

BOM DESPACHO
• Praça da Matriz – 196 | Centro

 Horário de funcionamento de todos os pontos: Terça aos sábados das 12h às 21h.

 

Gilmar Pereira
Gilmar Pereira é bacharel e licenciado em Filosofia pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CESJF); bacharel em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE); Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Também possui formação em Fotografia pelo SESI-MG/ Studio 3 Escola de Fotografia. É responsável pela editoria de Religião do portal Dom Total, onde também é colunista. Atua como palestrante há 18 anos, com grande experiência no campo religioso, tem ministrado diversos minicursos nas áreas de Filosofia, Teologia e Comunicação. Possui experiência como professor de Filosofia e Sociologia e como mestre de cerimônia. Leciona oratória na Dom Helder Escola de Direito e ministra a disciplina “A comunicação como evento teológico” na especialização “Desafios para a Igreja na Era Digital”.
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