12 Set 2018 | domtotal.com

Como será o amanhã

O que ficou claro, com as pesquisas após o atentado, é que nada está claro.

Seus eleitores parecem consolidados – mas, após a facada, ele subiu pouco, não o suficiente para projetar uma vitória no primeiro turno.
Seus eleitores parecem consolidados – mas, após a facada, ele subiu pouco, não o suficiente para projetar uma vitória no primeiro turno. (@FlavioBolsonaro)

Por Carlos Brickmann

Bolsonaro vai bem, obrigado, com ampla vantagem sobre os adversários. Seus eleitores parecem consolidados – mas, após a facada, ele subiu pouco, não o suficiente para projetar uma vitória no primeiro turno. O segundo turno é outra eleição – aí, até eventuais dúvidas sobre sua recuperação completa são prejudiciais. E há alguns fatores a considerar: sua alta rejeição, o lançamento, enfim, do poste escolhido por Lula, Fernando Haddad; o grande crescimento de Ciro Gomes; um Picolé de Chuchu mais ardido, já que, com aquele jeito de tio bonzinho, Alckmin não decolou e perde de Bolsonaro até em São Paulo.

O que ficou claro, com as pesquisas após o atentado, é que nada está claro. Bolsonaro, que vinha bem, não pode participar da campanha (e talvez também não tenha condições de fazê-la se chegar ao segundo turno). Haddad, se herdar os votos de Lula, fica forte; mas, se tiver que dividi-los com Ciro, estará mal. Ciro percebeu qual é seu principal adversário, e já o escolheu como alvo: lembrou que, com seu apoio e o de Lula, ainda solto, Haddad perdeu para Dória, quando tentou a reeleição, e teve menos votos que os brancos e nulos.

E há Marina. Caiu muito na última pesquisa (de 16 para 11%) mas sempre pode surpreender. Em todas as campanhas presidenciais, Marina ameaçou chegar lá, e não se sustentou. Esta é uma campanha curta. Se Marina crescer na hora certa, perto da eleição, pode chegar ao segundo turno. É difícil, mas conforme o adversário pode até receber o apoio dos outros e virar presidente.

A falsa verdade

As notícias de que o estado de saúde de Bolsonaro é grave e que ele terá de fazer nova cirurgia de porte são verdadeiras; mas foram plantadas para induzir o eleitor a erro. Coisas já sabidas: se está na UTI é porque o estado é grave. E, tendo sido operado do intestino, com desvio para uma bolsa externa, haverá outra cirurgia de porte, passado o risco de infecção, para repor tudo no lugar.

É importante saber se um candidato tem saúde para aguentar a carga e a tensão da Presidência. Mas isso é algo que só se saberá daqui a algum tempo.

Confiança

O general Mourão, vice de Bolsonaro, disse na Rede Bandeirantes, ao entrevistador Cláudio Humberto, que confia na recuperação do seu cabeça de chapa, porque é tão forte que, no Exército, tinha o apelido de “Cavalão”.

A luta continua

Houve trégua, mas já acabou a gentileza. Alckmin lembrou que Bolsonaro votou com o PT contra o Real, a quebra do monopólio do petróleo, a quebra do monopólio das telecomunicações. Citou as pesquisas: “Perde de mim, perde do Ciro, perde do PT. Bolsonaro é um passaporte para a volta do PT”.

A metralha de Palocci

Ex-ministro da Fazenda, ex-chefe da Casa Civil, ligado a Lula e Dilma, Palocci começou a falar, em depoimento ao Ministério Público. O que disse:

Previ: antes de ser presidente, Lula agiu a pedido de Emílio Odebrecht para que o delegado do PT no fundo parasse de criar problemas para a Braskem.

Pré-sal: Lula passou a atuar diretamente nos pedidos de propina

Campanhas: Lula sempre apoiou as iniciativas de financiamento ilícito de campanha, sabendo que eram ilícitas.

Caças: Lula assinou protocolo com o presidente francês Sarkosy, passando por cima da área de Defesa, que cuidava do assunto. Isso gerou propinas. Mais tarde, teve envolvimento pessoal na compra dos caças suecos Grippen.

Belo Monte: Lula se envolveu diretamente no caso de Belo Monte, e sabia que a partir desse investimento e desse projeto haveria pedido de propina.

Dilma: era ministra da Casa Civil e agia como Lula. “Em relação aos fundos ela foi igual a Lula, ela insistia, inclusive usava muito, que aquilo era uma ordem do presidente Lula e ela fazia reuniões com os fundos na Casa Civil e forçava a barra para os fundos investirem“,

As assessorias de Lula e Dilma desmentiram seu ex-ministro e o acusaram de mentir, sem apresentar provas, apenas para sair da prisão.

A Odebrecht disse que reafirmava seu compromisso de atuar com ética.

A arte subversiva

O Facebook não costuma explicar por que pune com suspensão de acesso alguns associados. Não costuma porque seria difícil: há poucos dias, bloqueou uma imagem e, pouco depois, suspendeu por 18 horas o associado “por usar o Facebook de maneira que os sistemas consideraram pouco usual”. Em suma, a mesma mensagem com que censuram fotos que consideram pornográficas.

É qual era a imagem tão perigosa que teve de ser bloqueada? Um quadro mundialmente famoso do excelente pintor espanhol Joan Miró, “El Gallo” – O Galo. Verifique: vá ao Google, “El Gallo – Miró”, e aparecerá o clássico do surrealismo, sem qualquer conotação de política ou de pornografia.

Oficialíssimo

“El Gallo” já foi exposto no Brasil na mostra “A Magia de Miró”, em 2014, de fevereiro a setembro, em cinco capitais – sempre na Caixa Cultural.

Carlos Brickmann
é jornalista e diretor do escritório Brickmann&Associados Comunicação, especializado em gerenciamento de crises. Desde 1963, quando se iniciou na profissão, passou por todos os grandes veículos de comunicação do país. Participou das reportagens que deram quatro Prêmios Esso de Equipe ao Jornal da Tarde, de São Paulo. Tem reportagens assinadas nas edições especiais de primeiras páginas da Folha de S.Paulo e do Jornal da Tarde.
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