21 Set 2018 | domtotal.com

Vida ou morte? Em qual você votaria?

O crescimento de Haddad é visto como uma ameaça por setores que projetam que a polarização esquerda x direita, não consiga repetir o feito agora.

A questão Ciro x Haddad será passageira, a maioria da classe trabalhadora tenderá a apoiar o candidato de Lula.
A questão Ciro x Haddad será passageira, a maioria da classe trabalhadora tenderá a apoiar o candidato de Lula. (Agência Brasil)

Por Marcel Farah

Com a consolidação de Fernando Haddad em segundo lugar nas pesquisas de intenção de votos, várias pessoas começam a se preocupar, precocemente, com a rejeição ao PT. O antipetismo é visto como uma ameaça que fortaleceria a candidatura de extrema direita.

Neste cenário há quem defenda voto em Ciro Gomes, já que ele não enfrentaria a rejeição ao PT.

Contudo, tais leituras perdem o sentido ao ignorar que o antipetismo é uma espécie do gênero antiesquerdismo, sentimento que foi assumido por parte majoritária da classe média e minoritária da classe trabalhadora, principalmente de 2013 para cá.

Como era de se esperar, caso o Partido dos Trabalhadores não cometesse erros políticos e eleitorais, Haddad assumiria boa parte dos votos de Lula. Afinal esta eleição sem Lula, impedido politicamente pelo Judiciário que assume sua face pró-golpe, é uma fraude, que só pode ser revertida, curiosamente, com a vitória de Lula, mas pela candidatura do candidato possível, no caso, Fernando Haddad. Isso diferencia a candidatura Haddad de sua candidatura para a prefeitura de São Paulo em 2012 e da candidatura de Dilma em 2010. Desta vez não houve escolha, foi imposta uma candidatura alternativa ao PT em vista da força do golpismo nas instituições. Portanto, vale a observação, em 2018 Haddad é Lula, Lula é Haddad.

O crescimento de Haddad é visto como uma ameaça por setores que projetam que a polarização esquerda x direita, vencida nas últimas quatro eleições nacionais pela esquerda (mesmo que uma esquerda moderada), não consiga repetir o feito agora, contra a extrema direita. O argumento central seria a força do antipetismo.

Contraria esse raciocínio o fato do PT ser o partido com maior preferência entre todos existentes, maior que a soma de todos que pontuam neste tipo de pesquisa. Soma-se ainda a reação dos principais veículos de comunicação da direita, Globo e Folha de São Paulo, atuando escancaradamente para colocar Ciro, e não Haddad, no segundo turno contra Bolsonaro (já desistiram do Alckmin). A última pesquisa datafolha é anunciada por estes veículos casada com a manchete de que só Ciro venceria Bozo no segundo turno e de que Haddad estaria empatado com Ciro dentro da margem de erro, buscando refrear o efeito que teve a pesquisa Ibope em que Haddad subira 11 pontos percentuais. Ou seja, Ciro é uma opção melhor para a Globo do que Haddad. Por que será?

O que estas avaliações não conseguem captar é o fato de que o crescimento do apoio à campanha fascista de Bolsonaro não é resultado do antipetismo, mas do antiesquerdismo. E que qualquer avanço no sentido da garantia de direitos, melhor distribuição de renda, inserção soberana na política internacional ou maior participação social enfrentará a mesma oposição que enfrenta o PT.

A campanha nazista afronta as mulheres em sua existência e dignidade, despreza a democracia e a soberania popular, os direitos humanos e todas minorias, somado ao fato de que não apresenta nenhuma proposta séria de plano de governo. Afinal seus propósitos são de continuidade do golpe e se possível de supressão da democracia como vem enfatizando o vice de Bolsonaro.

Neste cenário, a questão Ciro x Haddad será passageira, a maioria da classe trabalhadora tenderá a apoiar o candidato de Lula levando-o ao segundo turno, pois é o projeto de Lula e de seu partido que tem significado popular.

Percebe-se, portanto, que o PT não tem uma candidatura “tampão”, nem foi atingido mortalmente pelo golpe, pois mesmo enfrentando as elites e seus “aparelhos” escolheu a coerência. Por mais que existam problemas no partido e moderação em seu programa, e existem, o partido acertou em não deixar de denunciar o golpe e assim manteve sua força eleitoral, capilaridade social e principalmente um projeto para o país - que lutamos para seja cada vez mais, e novamente, socialista. Por tudo isso o antipetismo ou o antiesquerdismo não sobreviverá na reta final do primeiro turno e no segundo turno das eleições de 2018, pois será suplantado pela escolha entre a civilização ou a barbárie.

Marcel Farah
Educador Popular
Comentários
+ Artigos
Instituições Conveniadas