25 Out 2018 | domtotal.com

Por questão de justiça

O advogado de Lula, deputado Wadih Damous (PT-RJ), declarou em abril deste ano que o STF tem que ser fechado.

Eduardo Bolsonaro desculpou-se após o vazamento da infeliz declaração, feita numa sala de cursinho, no Paraná.
Eduardo Bolsonaro desculpou-se após o vazamento da infeliz declaração, feita numa sala de cursinho, no Paraná. (Lucio Bernardo Junior/ Câmara dos Deputados)

Por Jorge Fernando dos Santos

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) errou feio ao sugerir o fechamento do Supremo Tribunal Federal por “um soldado e um cabo”, caso a candidatura do seu pai fosse impugnada por qualquer motivo. Como era de se esperar, a fala irritou os ministros do STF e preocupou setores da sociedade.

O ministro Alexandre de Moraes pediu à Procuradoria Geral da República que investigue o deputado por crime tipificado na Lei de Segurança Nacional. Moraes está certo, pois ninguém em sã consciência pode ameaçar os poderes da República. Como afirmou o pai de Eduardo, quem diz o que ele disse precisa de tratamento psiquiátrico.

Eduardo Bolsonaro desculpou-se após o vazamento da infeliz declaração, feita numa sala de cursinho, no Paraná. No entanto, vale perguntar o motivo de pronunciamentos semelhantes, saídos da boca de outros políticos, não terem repercutido com a mesma ênfase na mídia e no próprio Supremo. O STF, aliás, nunca foi tão criticado como nos últimos tempos.

Ameaças veladas

Como esquecer a conversa de Lula com a presidente Dilma, na qual ele afirmou que o Supremo estava acovardado? Tudo bem que não foi em público e sim num telefonema grampeado e vazado para a imprensa. Mas o ex-presidente já bravateou publicamente contra o Ministério Público Federal e o juiz Sérgio Moro. Foi repreendido? Acho que não.

E o que dizer do pronunciamento de José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil condenado há mais de 30 anos por corrupção? Numa entrevista recente, ele disse que “é questão de tempo para a gente tomar o poder” – não necessariamente pela via democrática.

Também afirmou que tirariam os poderes do Supremo. Foi processado por isso? Não que eu saiba.

O advogado de Lula, deputado Wadih Damous (PT-RJ), declarou em abril deste ano que o STF tem que ser fechado. Ao que parece, ele não foi investigado. O próprio programa de governo do candidato Fernando Haddad, da coligação PT-PC do B, propõe limitar a atuação da suprema corte e rever a Lei Anticorrupção.

Ou seja, a indignação contra o filho do candidato à Presidência da República pelo PSL parece seletiva. Eduardo Bolsonaro errou e de fato merece repreensão. Mas isso só seria justo se os demais suspeitos de ameaçar o STF e a própria democracia também fossem penalizados. Afinal, a lei tem que ser igual para todos. Pelo menos é o que diz a lei.

Jorge Fernando dos Santos
Jornalista, escritor, compositor, tem 44 livros publicados. Entre eles Palmeira Seca (Ed. Atual), Prêmio Guimarães Rosa em 1989; ABC da MPB (Paulus), selo altamente recomendável da FNLIJ em 2003; Alguém tem que ficar no gol (SM), finalista do Prêmio Jabuti em 2014; Vandré - o homem que disse não (Geração), finalista do Prêmio da APCA em 2015; e A Turma da Savassi (Quixote).
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