20 Jan 2019 | domtotal.com

Armas para quem?

Quanto maior a disponibilidade de armas de fogo em uma região, maiores os índices de violência.

Se os números sobre mortes com armas de fogo são assustadores, vale ressaltar que a situação em países em que o porte de arma já é facilitado não mostra uma tendência à melhoria. 
Se os números sobre mortes com armas de fogo são assustadores, vale ressaltar que a situação em países em que o porte de arma já é facilitado não mostra uma tendência à melhoria.  (Pexels)

Por Nany Mata

43,2 mil pessoas foram mortas por armas de fogo no Brasil em 2016. Ainda assim, o presidente do país acaba de assinar um decreto que facilita o acesso ao porte de armas. Segundo discurso dele próprio, a intenção de armar a população para se proteger. 

Os dados são deixam o Brasil em primeiro lugar do ranking mundial de mortalidade por armas, publicado pelo Global Burden Disease (GBD), órgão da Organização Mundial da Saúde, que pesquisa as causas de morte pelo mundo.

Já falei sobre isso em 2015, mas retomo o tema após decreto de Bolsonaro. O decreto, além de caminhar em sentido contrário ao de especialistas de segurança e estatísticas ao redor do mundo, vai contra declarações dele próprio que, em 1995, se disse indefeso após ser vítima de um assalto em que, mesmo armado, não pôde fazer nada. 

Quando o porte de armas é facilitado 

Se os números sobre mortes com armas de fogo são assustadores, vale ressaltar que a situação em países em que o porte de arma já é facilitado não mostra uma tendência à melhoria. 

Nos Estados Unidos, no mesmo período, armas mataram 37,2 mil pessoas. Somando-se assassinados a bala nos dois países, tem-se um terço das mortes por essa causa em todo o mundo. 

A pesquisa da GBD mostra, ainda, que armas de fogo são as maiores causadoras de mortes nos quase 200 países pesquisados, das seguintes formas: homicídios representam 64% do total e o suicídio corresponde a 27% das mortes e 9% das mortes ocorrem por disparo acidental. 

Quem vai morrer?

Aspectos sociais, como pobreza, etnia e desigualdades sociais também influenciam. Quanto maior a disponibilidade de armas de fogo em uma região, maiores os índices de violência. 

“Violência na interseção desses fatores culturais, juntamente com uma alta disponibilidade geral de armas de fogo , combinam-se para produzir altas taxas de mortalidade através da letalidade inerente ao uso de armas de fogo”, afirmam os autores da pesquisa.

Estatísticas indicam que, no Brasil, mortes por armas de fogo aumentaram muito desde 1990. A estimativa era de 27,3 mil mortes por tal motivo em 2016, um número bem aquém dos 43,2 mil registrados. Porém, com a criação do Estatuto do Desarmamento, houve uma redução no índice, que vinha se mantendo estável. 

Agora, que atiraram no estatuto do desarmamento, todas as tendências apontam para uma regressão, com aumento da violência e diminuição da segurança de cada um de nós.

Nany Mata
Jornalista, especialista em Comunicação Corporativa e Inbound Marketing. Acredita nos Direitos Humanos, na luta feminista e LGBT. Não se acanha em ser acusada de defensora de bandidos ou utópica. Trabalhou e é voluntária da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac), entidade sem fins lucrativos que visa a humanização no cumprimento da pena e a ressocialização de indivíduos que cometeram delitos.
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