28 Jan 2019 | domtotal.com

Cruzeiro x Atlético fora de hora em Minas Gerais 


A tragédia em Brumadinho não foi motivo suficiente para o adiamento do clássico Cruzeiro x Atlético no Mineirão.
A tragédia em Brumadinho não foi motivo suficiente para o adiamento do clássico Cruzeiro x Atlético no Mineirão. (Adriano Machado/Reuters)

Por Juliano Paiva

O clássico Cruzeiro x Atlético, válido pela terceira rodada do Campeonato Mineiro, foi fora de hora. Aliás, totalmente fora de hora por dois bons motivos, um deles gravíssimo. 

Primeiro: o calor

Estamos no verão, no horário de verão para ser mais preciso. Um calor insuportável toma conta da maioria das cidades brasileiras, entre elas Belo Horizonte. Então, o jogo não aconteceu às 11h. Na verdade, eram 10h da manhã quando a bola rolou para o primeiro clássico mineiro de 2019.  

O calor, para atletas que tiveram apenas 17 dias de pré-temporada, era mais sentido no gramado debaixo de um “sol de rachar”. O mesmo vale para o árbitro. As câimbras sentidas Wanderson Alves, que o tiraram da partida, podem ter sido consequências do calor excessivo.  É uma forma de o corpo reagir à adversidade.  

E a partida não foi tão boa como poderia ter sido.  E, certamente, o calor teve influência nisso. Os jogadores precisaram “dosar” o tempo todo o seu ritmo ao longo dos mais de 100 minutos da partida. Ou seja, ninguém estava 100% em campo e o calor só piora isso. 

Segundo: tragédia em Brumadinho

Depois de mais um crime ambiental da Vale em Minas Gerais que tirou dezenas de vidas de trabalhadores não havia o menor clima para a disputa do clássico. 

O mínimo que se esperava da Federação Mineira de Futebol (FMF) era o adiamento da rodada completa. O presidente da entidade, Adriano Aro, deveria ter tomado essa atitude já na sexta-feira e comunicado os clubes. Vou frisar: comunicado os clubes. Aro não tinha que consultar Atlético, Cruzeiro, América, Vila Nova, etc. Ele tinha que ter tomado a decisão de adiar a rodada e informado os clubes por uma questão de humanidade, respeito pelas vidas perdidas com o rompimento da barragem em Brumadinho. 

O que aconteceu no início da tarde de sexta-feira, no triste 25 de janeiro, não foi em Júpiter. Foi logo ali, bem do lado do Mineirão. É como se alguém resolvesse manter o churrasco no domingo na sua bela cobertura depois de o vizinho do andar de baixo perder mulher e filho num acidente de carro na sexta.

O presidente do Atlético, Sérgio Sette Câmara, até tentou o adiamento do jogo por respeito às vítimas da barragem da Vale que se rompeu. Mas a ideia não foi para frente devido às reações de Itair Machado, que alegou que “não jogar não ajudaria” às vítimas e que o Cruzeiro se mobilizaria por elas de outra forma, e da própria FMF que disse que teria dificuldades em conseguir nova data para a partida. 

E assim foi o Cruzeiro 1 x 1 Atlético, o clássico mais fora de hora da história de Minas Gerais. 

Juliano Paiva
é jornalista formado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente editor do Dom Total, Paiva trabalhou nos jornais O Tempo, Hoje em Dia e no extinto Diário da Tarde, tradicional periódico de Belo horizonte fechado pelos Associados Minas em julho de 2007. No DT, começou como repórter da editoria Cidades, mas, na época do fechamento do jornal, fazia cobertura esportiva. Também foi responsável pela cobertura de jogos do Campeonato Brasileiro para a Folha de São Paulo no segundo semestre de 2007.
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