14 Fev 2019 | domtotal.com

Cadê o Chará do Junior Barranquilla?

O Chará do Junior Barranquilla não é, nem de longe, o jogador acanhado do Atlético.

Yimmi Chará é o jogador mais caro da história do Atlético.
Yimmi Chará é o jogador mais caro da história do Atlético. (Bruno Cantini/Atlético)

Por Rômulo Ávila

Como o atacante Yimmi Chará atuava no Junior Barranquilla? Qual era a função dele no esquema tático? Em qual parte do campo ele gostava de atuar? Era obrigado a voltar para marcar? Não sei se alguém da comissão do Atlético já fez esses questionamentos ao jogador, mas são dúvidas que podem explicar o péssimo rendimento do colombiano com a camisa do Atlético.

Contratado por R$ 22 milhões (à época), Yimmi Chará é o jogador mais caro da história do Atlético. O rendimento dentro campo, no entanto, está muito longe do esperado. Participa pouco dos jogos, não faz gols, é desarmado facilmente e cria raríssimas jogadas individuais e de linha de fundo, problema que afeta diretamente o número de assistências.

Pelo desempenho em campo, Chará não merece ser titular do Atlético. Na vitória apertada por 3 a 2 sobre o Danubio, por exemplo, ele só apareceu nos minutos finais, quando deu um chute perigoso ao gol adversário e levou vantagem em alguns lances individuais. Muito pouco para um jogador que infernizava os adversários durante os 90 minutos, dava assistências e fazia gols na Colômbia. O Chará do Junior Barranquilla não é, nem de longe, o jogador acanhado do Atlético. É só assistir ao vídeo no fim deste artigo e tirar suas próprias conclusões.

Qual seria o motivo? Apostaria na função tática. Analisando atuações de Chará com a camisa do Junior Barranquilla é fácil perceber que ele tinha liberdade para atuar em diferentes partes do campo ofensivo, sem posição fixa. Inclusive, aparecia frequentemente na área e fazia gols típicos de centroavante.

Percebo que no Atlético Chará fica muito preso no lado esquerdo do campo, como um verdadeiro ponta. E o pior: tem a obrigação de acompanhar o lateral adversário até o fim. Não há nada pior para um atacante, ainda mais com as características de Chará, do que acumular tal função de marcação. Sei que no futebol moderno todos têm que contribuir, mas não concordo com determinadas exigências. Chará é atacante de velocidade, habilidoso e que gosta do mano a mano, de partir para cima dos defensores. Para fazer isso é preciso ter fôlego, explosão.

Tive um treinador (eu era atacante pela esquerda) na categoria de base do Villa Nova chamado Pelado que dizia o seguinte: “Rômulo, é o lateral que precisa preocupar com você e não você com ele. Acompanhe até o meio-campo. Depois disso deixe para os volantes ou para o nosso lateral bater de frente. Assim, você poderá jogar nas costas dele no contra-ataque”.

Concordo 100% com o que dizia o saudoso treinador. Não tem como atacar e defender com a mesma qualidade (a exceção é Luan). Claro que a recomposição defensiva é necessária, mas obrigar um atacante nato a voltar reflete negativamente no setor ofensivo. Na hora de um contra-ataque, por exemplo, pode faltar gás para chegar com qualidade na frente. Percebi isso em vários momentos no triunfo sobre o Danubio.

A função dada ao colombiano pode explicar um pouco as atuações apagadas. Outro ponto evidente é a falta de confiança. Tenho a impressão de que ele tem medo de partir para cima, como fazia no Barranquilla.  

São situações que precisam ser analisadas pelo técnico Levir Culpi para que o jogador mais caro da história do Atlético tenha condição de justificar o investimento milionário.  Um ditado é certo: um bom jogador não desaprende a jogar.

Chará do Junior Barranquilla:

Rômulo Ávila
É jornalista formado pela Newton Paiva. Foi repórter esportivo durante dois anos do extinto Diário da Tarde (tradicional periódico de BH fechado pelos Associados Minas em julho de 2007). Atualmente é repórter do Portal DomTotal. Antes de cursar comunicação, foi jogador de futebol profissional. Começou no Villa Nova-MG e passou pelo futebol paulista e nordestino.
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