15 Fev 2019 | domtotal.com

Governos eleitos correm atrás do ouro, deviam buscar a mina

Caminhamos para ter superprodução de grãos sem ter para quem vender.

Mesmo um governo neoliberal, com um mínimo de raciocínio, entende que o excesso de agrotóxicos não é uma invenção “esquerdista”.
Mesmo um governo neoliberal, com um mínimo de raciocínio, entende que o excesso de agrotóxicos não é uma invenção “esquerdista”. (AFP)

Por Marcel Farah

O governo federal e diversos estaduais, após eleitos, buscam saídas para a crise fiscal. Em sua maioria fazem como o governo federal, apostam em cortes de despesas, em reformas que retiram responsabilidades do estado e direitos da população, como, a reforma da previdência, reduzir salários e carga horária de servidores e privatizações.

Os exemplos do governo federal são todos no sentido de retroceder em direitos e avanços, considerados mimimi dos “politicamente corretos” para a extrema direita. Um caso emblemático é o enfraquecimento das políticas de proteção ambiental e a liberação de uso comercial de venenos para produzir agrotóxicos. Essa visão limitada não percebe que quanto mais veneno tiverem os grãos do país, menores serão nossas exportações, vide as preocupações da China e União Europeia com a quantidade de veneno presente na soja brasileira. Podemos perder compradores como perdemos de carne, no caso da Arábia Saudita.

Caminhamos para ter superprodução de grãos sem ter para quem vender. Mesmo um governo neoliberal, com um mínimo de raciocínio, entende que o excesso de agrotóxicos não é uma invenção “esquerdista”.

Voltando à retirada de direitos como resposta ao deficit fiscal. O estado brasileiro não tem dinheiro para arcar com suas dívidas. Mas se o governo federal contingencia seu orçamento, reduz o investimento público, não toma medidas para reverter a crônica desindustrialização nacional nem os altos juros bancários, neste cenário de crise internacional, resultado, o desemprego aumenta e o país não produz o que precisa para “se pagar”. Afinal, não há investidor externo que vai suprir os cortes do governo no cenário adverso que vivemos.

Mas, parece que o governo não pensa saídas pelo lado da produção, do aumento do emprego, ou do estímulo ao crescimento, tudo gira em torno de cortes. Um rápido raciocínio seria suficiente para perceber que isso foi tudo o que o governo Temer fez em seus dois anos de mísera existência. O resultado? Nada melhorou.

Dizem que tínhamos governos “populistas” que gastavam muito, mas os governos anteriores, Lula e Dilma, não gastaram mais com pessoal do que em outros momentos, a conta sempre fechou abaixo dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. Não promoveram recessão, o país sempre cresceu (a única exceção foi o ano do estouro da bolha imobiliária e crise internacional). Por outro lado, não alegavam ser necessário tirar direitos para manter o crescimento, pois priorizavam dar volume à economia para que o país produzisse para se pagar. Quanto mais direitos, como moradia, agroecologia, educação para todos, luz para todos, bolsa família, e principalmente emprego e valorização do salário mínimo, mais a economia cresce, mesmo que prioritariamente pelo consumo, mais o estado arrecada, pois mais impostos são pagos, e assim podemos controlar o deficit.

Mas, foi esse o projeto vencedor nas urnas, a fraude das eleições sem Lula, resultaram na entrega do governo aos algozes do povo. A saída agora é mostrar didaticamente como as políticas neoliberais são nefastas, principalmente com os que menos tem.

O problema, e talvez o principal trunfo da oposição ao bolsonarismo, é que os neoliberais, gananciosos que são, só conseguem mirar o ouro, quando deveriam mirar a mina. Mas se assim fosse, deixariam de ser neoliberais.

Marcel Farah
Educador Popular
Comentários
+ Artigos
Instituições Conveniadas