18 Fev 2019 | domtotal.com

O vergonhoso futebol carioca


Torcedora do Vasco protege seu filho durante confusão nas imediações do Maracanã.
Torcedora do Vasco protege seu filho durante confusão nas imediações do Maracanã. (Marcelo de Jesus / Gazeta Press)

Por Juliano Paiva

“Comemorar o que? Se caminho para lá tem gás de pimenta. Se prefiro ir por ali tem gás de pimenta. Não dá!” Essa é a reação de um torcedor ao ser entrevistado pela repórter Débora Gares, da ESPN Brasil, que retrata bem o caos e a vergonha que se tornou o futebol carioca. 

Os torcedores do Vasco, campeão da Taça Guanabara, sequer puderam curtir a conquista do tradicional torneio. O objetivo principal deles e de quem estivesse nos arredores do Maracanã era se manter vivo, inteiro em meio à confusão do lado de fora do estádio após o fiasco que foi a decisão da Taça Guanabara. 

O motivo da briga fora das quatro linhas era o setor sul do Maracanã. O Vasco alegava direito histórico para utilizar aquele lado do estádio. Já o Fluminense se apegava ao contrato que tem com a concessionária que administra o Maracanã. 

Se acordo! Sem consenso! E o futebol carioca tem mais uma página vergonhosa em sua história neste ano de 2019. Seja lá quem tenha razão, a perdeu ao colocar em risco a vida dos torcedores que queriam ver a decisão. 

Antes da final, já nos primeiros minutos de domingo, a Justiça determinou que a partida fosse disputada com portões fechados, sem a presença de torcida. Resolvido? Claro que não. Só mais dúvida e insegurança para quem pretendia ter um domingo ao lado do seu clube no estádio. 

O Vasco tentou na própria Justiça reverter a situação. Sem êxito, e contrariando a decisão judicial de portões fechados, convocou a torcida via redes sociais para ir ao Maracanã garantindo que os portões seriam abertos às 15h, duas horas antes do horário marcado para a bola rolar. 

E, óbvio, os portões não foram abertos. Quando o jogo começou, o silêncio do Maracanã só era quebrado pelos gritos de jogadores e pelo som das bombas de efeito moral que se ouvia vindo do lado de fora. Os torcedores, impedidos de entrar, estavam em confronto com a polícia. 

Por volta de 17h35, temendo por algo ainda mais grave, o desembargador de plantão André Emílio Ribeiro autorizou a entrada dos torcedores com ingresso.

Parece até ficção, mas tudo isso aconteceu em pleno século 21 por um motivo banal: a disputa pelo setor sul do Maracanã. A causa da briga nos bastidores é muito pequena e ambos os clubes podem ser punidos.  O Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) já entrou em ação.

Pedro Abad, presidente do Fluminense, foi denunciado por incitar a violência. Na véspera da partida, ele chamou a torcida para a “guerra” durante uma entrevista coletiva.  O TJD ainda pediu a exclusão do Fluminense do Campeonato Carioca por procurar a Justiça Comum. 

Será que ficará só nisso!?

Aguardemos o desfecho de mais esse capítulo triste do futebol do Rio de Janeiro. 

Juliano Paiva
é jornalista formado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente editor do Dom Total, Paiva trabalhou nos jornais O Tempo, Hoje em Dia e no extinto Diário da Tarde, tradicional periódico de Belo horizonte fechado pelos Associados Minas em julho de 2007. No DT, começou como repórter da editoria Cidades, mas, na época do fechamento do jornal, fazia cobertura esportiva. Também foi responsável pela cobertura de jogos do Campeonato Brasileiro para a Folha de São Paulo no segundo semestre de 2007.
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